quarta-feira, 14 de março de 2012

As aventuras de Tintim

Spielberg realizou um sonho ao fazer “As aventuras de Tintim”. O cineasta, fã do personagem criado pelo belga Georges Remi, o Hergé, em 1929, teve a ideia de fazer um filme ‘live action’ depois que o seu “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida” foi comparado com as aventuras do personagem-título nos anos 80.

A dificuldade de transpor a história em quadrinho para as telonas do jeito que queria fez o diretor adiar a realização de seu desejo por quase 30 anos. Tintim se tornou realidade quando outro cineasta, também fã das HQs, entrou no projeto como produtor. Esse fã é Peter Jackson, que se destacou ao utilizar uma nova técnica de captação de movimento em “O Senhor dos Anéis” e “King Kong”.

Essa ferramenta, que possibilita a interação de um ser humano com personagens digitais, fascinou Spielberg e foi o pontapé inicial para que Tintim ganhasse uma versão cinematográfica. A escolha pela animação em 3D ganhou força pelo simples fato de tornar concreto e fiel (como os traços dos personagens) o que é impossível ou complicado de se trabalhar em uma produção tradicional.

E “As aventuras de Tintim” prova que todas as decisões para torna-lo ‘real’ foram acertadas. O filme é deslumbrante, bem humorado e tem uma riqueza de detalhes que impressiona. O longa se destaca, ainda, pelo retorno da boa e velha forma de Spielberg em promover projetos fantásticos, característica que o fez ser um dos maiores cineastas da história.

A história, baseada em dois álbuns de Tintim (“O Caranguejo das Tenazes de Ouro” e “O Segredo do Licorne”), mostra o jovem e destemido repórter ao lado de seu esperto cão Milu e o Capitão Haddock em uma jornada pelo mundo em busca do tesouro do pirata Rackham. A preocupação da trupe é descobrir o quanto antes o paradeiro da tal relíquia antes que caia nas mãos do misterioso Sakharine.

O filme surpreende ao ter um roteiro encaixadinho que recicla os clichês do gênero de maneira divertida e interessante, ainda que tenha uma narrativa ‘indianajonesmente’ convencional. A trama não perde tempo com as origens e nem com a descoberta do faro investigativo do protagonista e mostra Tintim já famoso e em ação, o que proporciona agilidade e bom ritmo à aventura.

O visual gráfico é de encher os olhos. O realismo nos trejeitos corporais e faciais dos personagens, além da textura gráfica, é sensacional. Há momentos em que a sensação é de estar vendo um longa com atores e objetos de verdade. Até as peripécias do fox terrier Milu, que agraciam e divertem o espectador toda vez que aparece em cena, parecem reais. A fotografia e a direção de arte virtuais, que lembram produções francesas, são intimistas e esteticamente belas.

Spielberg dá um show de direção, principalmente quando se diz respeito na condução de ‘ângulos de câmera’, na criatividade das transições que soam poéticas e das cenas de ação que são de tirar o fôlego. Os inúmeros travellings e planos sequências deixam o longa ainda mais espetacular. Destaques para as cenas do voo sobre o deserto do Saara e a incrível perseguição automobilística sem cortes de câmera.

Infelizmente, o filme ainda não fez jus ao seu sucesso literário, que vendeu mais de 200 milhões de cópias pelo mundo, ao faturar 378 milhões de dólares ao redor do planeta (até o momento). Tintim merecia melhor sorte no cinema já que, atualmente, esse valor não é considerado um grande êxito nas bilheterias. Que venham diversas continuações!

As aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin)
EUA, Nova Zelândia, 2011 - 107 minutos
Aventura / Animação
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Moffat, Edgar Wright, Joe Cornish
Elenco: Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig, Nick Frost, Simon Pegg, Daniel Mays, Gad Elmaleh, Toby Jones, Joe Starr, Enn Reitel, Mackenzie Crook, Tony Curran, Sonje Fortag, Cary Elwes
Trailer: clique aqui
Cotação: * * * * *