domingo, 1 de julho de 2012

Cinema: adaptando o ‘baseado’

Quando alguém diz que algo no cinema foi baseado em fatos reais não quer dizer que na projeção tudo será representado milimetricamente como está escrito nos roteiros ou nos livros. Fazer uma adaptação cinematográfica de algo real ou inspirada em literatura implica dar nova roupagem e imagem à narrativa escrita. O adaptador interpretará aquilo que leu no livro e correrá atrás de maneiras cabíveis para transformar a ‘imaginação escrita’ em uma realidade cinematográfica.

Fazer adaptações de histórias exige escolhas que estruturem o processo de seleção do que é mais importante a ser adaptado. As muitas alterações na obra original buscam, além de encaixar a história em nova linguagem e formato, a possibilidade de adequar certos parâmetros ao comercialmente viável.

Realizar qualquer tipo de adaptação exige do diretor, ou do roteirista, interpretar a obra em muitas dimensões e fazer com que o adaptador faça escolhas ou selecione o que for mais relevante no material a ser adaptado. Adaptação também significa alterações, adequações ou, até mesmo, modificações da obra original. Adaptar também implica a ampliação da história e a invenção de cenas, sem modificar a ideia proposta pelo autor da obra original.

Quando há incoerência na ampliação de informações, o chamado ‘furos de roteiro’ é perceptível por não conectar detalhes da narrativa. Se o equilíbrio artístico for alcançado, o fator de convencimento prevaleceu e a obra tem mais chances de alcançar o sucesso. Convencer é a intercessão que mostra que os trabalhos para criarem uma obra cinematográfica estão bem feitos, o que faz o espectador ‘acreditar no que está vendo’.

Se a obra a ser adaptada é pequena, o responsável pela adaptação possui a incumbência de ampliar e/ou inventar cenas capazes de se encaixar na narrativa. Uma determinada cena no livro pode não ser relevante no cinema, e, por isso, ela é cortada. Para exemplificar, o diretor do filme “300”, Zack Snyder, diz que não se deve modificar uma história, apenas, com fatos pré-estabelecidos, mas cortar, acrescentar e exagerar a cena para maior dramaticidade.

Portanto, é impossível comparar obras feitas por mídias diferentes. Um livro que vira filme nunca terá o mesmo impacto ou vice-versa. O filme sempre terá menos informações que o livro. ‘Quantidade de páginas’ pode significar mais fantasia e ‘longa duração sem espaço de tempo’ pode ser sinônimo de chatice.