segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Nove Rainhas e 171 - Criminal

Grandes roubos ou golpes bem arquitetados são assuntos saturados no cinema. Ainda que sejam clichês, esses filmes, geralmente, são atraentes por aguçar a curiosidade do espectador para ver como será a ação da trapaça e, claro, se surpreender com a conclusão da mesma.
 
Dentre as produções que contornam esse universo, um destaque é o argentino “Nove Rainhas”, de Fabián Bielinsky. O longa, ainda que tenha sido discretamente lançado no circuito brasileiro, foi um grande sucesso no país dos hermanos em 2004. O filme chama a atenção por sua estória - bem escrita sobre furtos e pequenos golpes, e por sua engenhosidade ímpar de fazer inveja em Hollywood.
 
Não demorou muito para o longa do país de Maradona ganhar uma versão hollywoodiana. Assim surgiu “171 – Criminal”, dirigido pelo então estreante Gregory Jacobs (foi assistente de direção em “Traffic” e “Erin Brockovich”) e produzido por Steven Soderbergh e George Clooney. Apesar de ser inferior ao original, o filme norte-americano tem lá sua importância.
 
Comparando as narrativas, alguns poucos momentos que ficaram inconvincentes ou mal ensaiados em “Nove Rainhas” foram reparados em “171”. Por outro lado, a tentativa de readaptar reviravoltas que foram bem elaboradas no filme argentino são os deslizes da refilmagem que perde em charme.
 
Há muitos momentos idênticos entre as películas que mostram dois golpistas, um mais experiente e outro amador, que tentam articular um golpe milionário. O que muda são alguns detalhes. Na cena de abertura, o golpe é o mesmo, mas muda-se a ambientação. Assim acontece em outras situações em que o conteúdo permanece o mesmo, mas a encenação é diferente. São essas minúcias que não podemos desprezar “171”, que traz diálogos mais consistentes e um melhor desenrolar de algumas ações, como nos instantes antes do desfecho que, apesar de ‘politicamente corretos’, soam mais convincentes.
 
O cinema latino costuma ter esses defeitos expostos nos primeiros minutos, como apresentar diálogos vazios e desenvolvimentos de trama confusos. Entretanto, isso não acontece com todas as produções e os longas argentinos têm o diferencial de criatividade narrativa e reviravoltas que se mostram inteligentes ao longo da projeção. E é esse viés que fazem os hermanos se destacarem na sétima arte e, inclusive, dão um banho de competência no cinema brasileiro que voltou a ter a péssima 'estética novelesca'.
 
Em relação ao seu irmão 'estelionatário estadunidense', “Nove Rainhas” sobra em carisma, charme (Ricardo Darín e Gaston Pauls dão banhos de interpretação em John C. Reilly e Diego Luna) e em realismo, já que o filme possui uma atmosfera densa e simplista que se mostra atual ao retratar o difícil momento econômico dos vizinhos. E olha que estamos em 2012 falando de um longa de 2004!
 
Nove Rainhas (Nueve Reinas)
ARG, 2000 – 80 minutos
Policial
Direção: Fabián Bielinsky
Roteiro: Fabián Bielinsky
Elenco: Ricardo Darín Gaston Pauls, Alejandro Awada, Amancay Espíndola, Antonio Ugo, Carlos Falcone, Celia Juárez, Elsa Berenguer
Trailer: clique aqui
Cotação: * * * *
 
171 (Criminal)
EUA, 2004 – 87 minutos
Policial
Direção: Gregory Jacobs
Roteiro: Fabián Bielinsky (filme Nove Rainhas), Gregory Jacobs
Elenco: John C. Reilly, Diego Luna, Maggie Gyllenhaal, Peter Mullan, Zitto Kazann, Jonathan Tucker
Trailer: clique aqui
Cotação: * * *