terça-feira, 23 de abril de 2013

Presságio

“Presságio” é o exemplo de filme que faz tudo certo durante quase toda a projeção e derrapa em sua conclusão. Entretanto, até antes do clímax, o diretor Alex Proyas ("Eu, Robô") comanda uma ficção científica de primeira com uma estória intrigante repleta de tragédias e profecias.
 
No fim dos anos 50, uma escola fez com que suas crianças desenhassem o futuro em papéis no intuito de guardá-los numa cápsula do tempo para serem revelados 50 anos depois. No presente, a tal cápsula é aberta e os desenhos são distribuídos para alunos e, entre os papéis, está o trabalho de uma misteriosa aluna que profetiza, por meio de códigos numéricos, grandes catástrofes na Terra.
 
O argumento é interessante e bem trabalhado pela narrativa que, embora se apresente de maneira pesada e triste, é bastante atraente pelo ritmo intenso e pelo tom enigmaticamente sobrenatural. A atmosfera densa sustenta bem o drama que transmite angústia por meio da fotografia avermelhada e da depressão do protagonista (interpretado por Nicolas Cage) que, a todo momento, demonstra desespero pela busca de informações.
 
O longa traz boas doses de suspense e efeitos visuais de qualidade. As catástrofes, que também referenciam o 11 de setembro, se destacam por suas proporções especialmente àquela em que mostra a queda de um avião filmado em plano sequência numas das cenas mais espetaculares que o cinema já criou.
 
Infelizmente, o ‘final surpresa’ não agradará a todos. Por mais que a trama inspire filosofia e soe de maneira esperançosa e teológica, ela se perde na conclusão dando a impressão de forçar um ponto final. Contudo, não podemos desmerecer a produção por causa desse detalhe, já que há mais pontos positivos que negativos em “Presságio”. Recomendo!
 
Presságio (Knowing)
EUA, 2009 - 121 minutos
Ficção científica
Direção: Alex Proyas
Roteiro: Ryne Douglas Pearson, Juliet Snowden e Stiles White
Elenco: Nicolas Cage, Chandler Canterbury, Rose Byrne, D.G. Maloney, Lara Robinson
Cotação: * * * *