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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A qualquer custo

"A qualquer custo" é um faroeste contemporâneo que retrata as ações de dois irmãos (interpretados pelos ótimos Ben Foster e Chris Pine) que roubam pequenos bancos no Texas. Enquanto um é ex-presidiário e procura apenas dinheiro e diversão, o outro é um divorciado que pretende pagar dívidas e deixar sua família em boas condições de vida (situação que resgata e critica o conceito do famoso american way of life). Enquanto isso, uma dupla de xerifes segue os rastros dos dois a fim de prendê-los. "A qualquer custo" não é muito original, mas tem uma história bem contada. O diretor David Mackenzie fez um trabalho eficiente ao inserir pontualmente a ação 'gato-e-rato' na trama, constrói bons momentos dramáticos  e faz uma caracterização regional impecável.  

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Os oito odiados

Falar de Quentin Tarantino é falar de um cinema recheado de autenticidade, bons roteiros, violência e desenvolvimento de personagens. Este oitavo filme, do diretor e roteirista, segue todos esses quesitos apontados, aventura-se novamente pelo gênero faroeste e traz, como sempre, referências aos seus trabalhos anteriores.
 
Com uma forte aura de "Cães de Aluguel", o longa tem uma premissa simples, que é montada em forma de capítulos, de tal forma que o espectador se surpreenda em sua conclusão. O ritmo é lento. Na primeira metade não acontece muita coisa e o filme se arrasta com alguns de seus personagens dentro de uma carruagem em plena nevasca, pouco após a Guerra Civil Americana (1861-1865).
 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

The Ridiculous 6

O elenco é muito bom, porém o filme nem tanto. Não é atoa que Adam Sandler, o canastrão de sempre, escreveu e produziu o longa. A narrativa possui uma montanha russa de gags cômicas. Quando uma situação funciona e te faz rir, em seguida o sorriso estampado se fecha com algo sem graça e, às vezes, escatológico e constrangedor. Sandler, que faz o papel de um índio que brinca de Zohan no faroeste, deve arrumar um grana para um criminoso e livrar seu pai da morte. Na jornada, ele descobre ter irmãos paternos (estranhos e boçais) que ajudam a conseguir o dinheiro. A reviravolta final é legal, há alguns bons personagens e a produção até diverte, mas o desequilíbrio no humor desagrada. Não sei qual sátira é a mais boba, esta ou "Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola", de Seth MacFarlane.
 
The Ridiculous 6
2015, EUA - 119 minutos
Comédia / Faroeste
Direção: Frank Coraci 
Roteiro: Adam Sandler, Tim Herlihy
Elenco: Adam Sandler, Jorge García, Luke Wilson, Rob Schneider, Taylor Lautner, Terry Crews, Danny Trejo, Harvey Keitel, Jon Lovitz, Nick Nolte, Steve Zahn, Steve Buscemi
Cotação: * *
 
Termômetro:
- Humor: * * * *
- Drama: * *
- Romance: * *
- Fantasia: * 
- Ação / Aventura: * *
- Policial: *
- Suspense: *  
- Sexualidade: *
- Escatologia: * * *   
- Violência: * * *

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Django Livre

Filme de faroeste, em um primeiro momento, parece não ter uma sintonia com o estilo de Quentin Tarantino. “Django livre”, seu mais novo longa, prova que o cineasta interage muito bem com o gênero, principalmente quando se diz respeito a diálogos afiados, violência e muitos tiros. 

A produção não é a melhor do diretor e o roteiro ele já escreveu melhores. A época retratada sobre a escravidão nos Estados Unidos é interessante e realista, inclusive serve de justificativa para a sanguinolência crua e, às vezes, divertidamente exagerada. A narrativa é curiosa, mesmo não tendo reviravoltas surpreendentes e sendo mais convencional que autêntica (vale lembrar que os temas ‘mais do mesmo’ soam como homenagens ao gênero). 
 
O script, mais burocrático e sem os pulos temporais que Tarantino costuma escrever, enfatiza demais o personagem de Christoph Waltz (faz o mercenário Dr. King Schultz que ajuda Django a encontrar e libertar sua esposa – sua atuação lembra demais o coronel nazista Hans Landa, em “Bastardos Inglórios”, que ele mesmo fez) e desenvolve pouco o ‘escravo-título’, interpretado por Jamie Foxx. Ainda que não aborde o aprendizado das excepcionais habilidades de Django, só conhecemos sua personalidade justiceira a partir da segunda metade, momento que o filme ganha um ritmo mais envolvente. 

Entretanto, o que mais agrada, principalmente aos fãs, mesmo tendo alguns equívocos, é o ‘padrão Tarantino de cinema’, que filma tudo de uma maneira empolgante, bem humorada,  com bons diálogos e com criatividade e ação que lhe é peculiar, vide o ótimo terceiro ato. E a presença de Samuel L. Jackson? É a ‘cereja do bolo’, ou melhor, é a ‘bala na agulha’! Valeu mais uma vez, Tarantino! 



Django Livre (Django Unchained) 
EUA , 2012 - 165 minutos 
Faroeste 
Direção: Quentin Tarantino 
Roteiro: Quentin Tarantino 
Elenco: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, Zoë Bell, Kerry Williams, James Remar 
Cotação: * * * *

sábado, 29 de dezembro de 2012

Cowboys & Aliens

A maioria dos filmes sobre a presença de alienígenas na terra aborda os seres de outros planetas em forma bizarra, dotados de alta tecnologia e com intenções dominatórias sobre a raça humana para obter algum recurso natural que temos. Analisando por esse aspecto, “Cowboys & Aliens” não traz novidades, mas utiliza esse argumento para promover uma interessante combinação de gêneros.
 
A história se passa em 1873, no Arizona, nos Estados Unidos. Inexplicavelmente e sem lembrar do seu passado, o cowboy Jake Lonergan acorda no deserto com um estranho artefato preso em seu punho e se dirige para a conflituosa cidade Absolution, onde não é bem vindo. Quando estranhas naves e criaturas capturam pessoas e atacam o vilarejo, Jake se torna a única esperança para combater esses curiosos seres.
 
A mistura de gêneros pode parecer bizarra, mas não é. Ao invés do ambiente urbano, como estamos acostumados a ver em outras produções sobre o tema, a narrativa sobre a invasão alienígena se passa no velho oeste no século 19. O trunfo da produção foi justamente trabalhar o faroeste em sua forma clássica e inserir a ficção sem muita extravagância visual.
 
O filme equilibra essas ‘composições’ sem apelar para o futurismo e executa bem a interação de estereótipos do ‘bang-bang’ com os ‘clichês alienógenos’. O resultado é uma química repleta de ação, bons efeitos visuais e com várias referências ou ‘lembranças cinematográficas’, como as luzes de pequenas naves em voos noturnos que parecem “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, a captura de humanos e ataques de lasers destruidores remetem a “Guerra dos Mundos” e abduções ao estilo “Fogo no céu”.
 
Se o roteiro, inspirado nas histórias em quadrinhos de Scott Mitchell Rosenberg, peca pela previsibilidade e no desenvolvimento de alguns personagens, como o de Harrison Ford e, sobretudo, da misteriosa mocinha interpretada por Olivia Wilde, a direção de Jon Favreau deixa a desejar pelo excesso de seriedade e pouco humor. Ainda sim, “Cowboys & Aliens” entretém com eficiência, mas não impressiona tanto.
 
Cowboys & Aliens
EUA, 2011 - 118 minutos
Faroeste / Ficção científica
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Roberto Orci, Alex Kurtzman, Damon Lindelof, Mark Fergus, Hawk Ostby
Elenco: Daniel Craig, Harrison Ford, Olivia Wilde, Sam Rockwell, Adam Beach, Paul Dano, Noah Ringer, Abigail Spencer, Buck Taylor, Matthew Taylor, Cooper Taylor, Clancy Brown, Chris Browning
Cotação: * * *

domingo, 22 de abril de 2012

Rango

Nem tudo que reluz é ouro, mas só porque não brilha não quer dizer que o produto deixa de ser precioso. Diria que “Rango” é uma bijuteria cara, pois tem corpo, boa aparência, tem lá seu charme e se figura bem entre as jóias, mas, o problema, é que ele continua sendo bijuteria. 

“Rango”, a princípio, é uma animação/faroeste que se destaca por seu visual espetacular (com perfeição de detalhes, cores e texturas), pela premissa pouco convencional e por seus momentos autênticos. Entretanto, ao longo da projeção, o filme de atmosfera clássica de velho oeste, que investe em fábula antropomorfizada (animais que vivem civilizadamente como humanos), se transforma em uma colcha de retalhos de clichês dramático-existenciais, cômicos e aventurescos. 

A estória gira em torno de um camaleão de estimação que sofre um acidente e vai parar em um deserto dos EUA. Caminhando sob o sol quente, ele encontra uma pequena cidade e é confundido por um famoso pistoleiro, Rango. Após um ato heróico sem querer, o réptil se torna xerife do local e vê os moradores passarem por uma conspiração política que some com a água que abastece o vilarejo. 

A narrativa de “Rango” oscila situações de pura excentricidade para os adultos com trama previsível e batida para tentar passar lições de moral para a criançada. Falando nisso, o longa não é muito atrativo ao público infantil justamente por ser extravagante e visualmente realístico e, porque não, assustador ao mostrar os personagens (anfíbios, répteis, aves e mamíferos) de uma forma pouco caricaturada. 

Apesar do roteiro ‘montanha russa’, o filme, no geral, não faz feio e promove bons momentos de metáforas, metalinguagem e faz citações aos montes, que vai desde assuntos ligados ao meio ambiente às referências cinematográficas. Aproveitando o sucesso de “Piratas do Caribe” e de Johnny Deep, o diretor Gore Verbinski trabalhou a voz e os trejeitos de Jack Sparrow no camaleão, o que o tornou uma figura irreverente e carismática. É divertido e vale a pena dar uma conferida! 

Rango 
EUA, 2010 - 107 minutos 
Animação / Faroeste 
Direção: Gore Verbinski 
Roteiro: John Logan, James Ward Byrkit, Gore Verbinski 
Cotação: * * *