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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Dunkirk

O diretor, roteirista e produtor, Christopher Nolan, é um dos poucos cineastas da atualidade que tem apoio de um grande estúdio (Warner) além de ter a liberdade de criação e execução. Ou seja, tem a grana necessária para fazer o filme que quiser. O que ele faz em "Dunkirk" é primoroso e, provavelmente, será a melhor experiência sensorial cinematográfica de 2017.

"Dunkirk" é um longa de guerra que possui uma estrutura narrativa que foge do convencional em relação ao gênero. É uma história de 'fuga/resgate' com premissa simples, mas que se torna interessante pela não linearidade do roteiro, que narra um evento com vários pontos de vista.

quinta-feira, 2 de março de 2017

A Grande Muralha

Invasão alienígena na China em pleno Século XV. Essa é a estranha premissa que define "A Grande Muralha", uma co-produção entre norte-americanos e chineses. Enquanto Hollywood traz a experiência em realizar blockbusteres, os orientais contribuem com o que sabem fazer de melhor: beleza e organização.
 
A narrativa recria a origem da muralha. O objetivo da grande barreira chinesa não seria apenas proteger a população de qualquer inimigo humano, mas servir de um forte de guerra para evitar que uma raça alienígena hostil, que caiu na Terra em um meteoro há centenas de anos, destrua o país.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Até o último homem

Como é bom saber que Mel Gibson está de volta como diretor em um filme! Longe dos holofotes a quase 10 anos por causa de problemas pessoais e polêmicas em seu passado, como infelizes declarações anti-semitas e homofóbicas, seus últimos longas na direção foram os excelentes "A Paixão de Cristo" (2004) e "Apocalypto" (2006). Em "Até o último homem", o ator e cineasta regressa com um bom trabalho, apenas atrás das câmeras, e prova que ainda pode nos proporcionar boas produções.
 
Baseado em fatos reais e permeado de misticismo, o bom roteiro de Andrew Knight e Robert Schenkkan conta a história do Desmond T. Doss (Andrew Garfield), um jovem que se tornou médico no exército e ajudou a salvar dezenas de vidas em um confronto sangrento contra os japoneses na Batalha de Okinawa, em 1945, pela Segunda Guerra Mundial.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

13 horas - Os Soldados Secretos de Benghazi

É bom saber que Michael Bay não abdicou do bom cinema de ação. Em "13 horas - Os Soldados Secretos de Benghazi", o cineasta prova que ainda pode proporcionar bons filmes que fogem do estilo frenético de "Transformers".
 
Inspirado em fatos reais, "13 horas" conta a história de seis soldados ex-militares que são contratados para fazerem a segurança de uma equipe da CIA infiltrada secretamente em Benghazi, na Líbia, em período pós Kadhafi. Quando a embaixada norte-americana sofre ataques terroristas, os tais soldados, mesmo não autorizados, partem para resgatar o diplomata.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sniper Americano

"Sniper Americano" é bom, mas nada surpreendente. Com boa direção de Clint Eastwood e ótima atuação de Bradley Cooper, o longa, baseado em fatos reais, é bem escrito e tem cargas dramáticas pontuais que vai do relacionamento amoroso do protagonista, da sua presença na guerra no Iraque até as triviais mazelas que a mesma provoca (Eastwood é mestre na condução dessas cargas na narrativa). No entanto, a impressão que passa é que o filme poderia ter sido mais grandioso. Já tiveram produções mais interessantes com histórias sobre snipers, como "Círculo de Fogo" (com Jude Law e Ed Harris), "O Franco Atirador" e o atirador coadjuvante em "O resgate do soldado Ryan". No geral, tirando a moral clichê e a 'melação patriótica' no terceiro ato, é um bom entretenimento. Destaque para o clímax que oferece uma tensão espetacular.

Sniper Americano (American Sniper)
EUA, 2014 - 132 minutos
Drama / Guerra
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Jason Dean Hall
Elenco: Bradley Cooper, Brando Eaton, Brian Hallisay, Sienna Miller, Marnette Patterson, Eric Close
Cotação: * * * *


Termômetro:
- Humor: *
- Drama: * * * *
- Romance: * *
- Fantasia: *
- Ação / Aventura: * * *
- Policial: * 
- Suspense: * * * 
- Sexualidade: *
- Escatologia: *
- Violência: * * * *

domingo, 11 de janeiro de 2015

Invencível

Inspirado em fatos reais, o drama de guerra "Invencível", o segundo filme dirigido por Angelina Jolie, conta a história do atleta olímpico Louis Zamperini capturado pelo exército japonês na Segunda Guerra Mundial. A produção conta com inúmeras cenas comuns, mas bem conduzidas, que nos remetem a outros longas, como o tenso naufrágio, a emoção do esporte, a tristeza no campo de concentração e as sequências aéreas. Tecnicamente, é impecável. 'Conteudamente', faltou um pouco de apuro no roteiro, pois, a moral da história, que relaciona a garra olímpica com o drama e a força do protagonista para sobreviver, soa deslocada em flashbacks. Apesar da duração excessiva, "Invencível" é bem feito, com elenco 'ok' e com Jolie demonstrando fôlego e segurança em sua crescente carreira atrás das câmeras.

Invencível (Unbroken)
EUA, 2015 - 137 minutos
Guerra / Drama
Direção: Angelina Jolie
Roteiro: Joel Coen e Ethan Coen
Elenco: Jai Courtney, Jack O’Connell, Domhnall Gleeson
Cotação: * * *

Termômetro:
- Humor: * *
- Drama: * * * *
- Romance: *
- Fantasia: *
- Ação / Aventura: * * *
- Policial: *
- Suspense: * * 
- Sexualidade: *
- Escatologia: * *
- Violência: * * * *
- Efeitos especiais: * * *

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Caçadores de obras-primas

Baseado em fatos reais, "Caçadores de obras-primas" tem um tema importante e pouco explorado se tratando de 'dramas de guerra': a recuperação de obras de arte roubadas pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. O assunto é memorialista de suma importância histórica, pena que o filme não faz tão jus a isso.

Ainda que tenha elenco de primeira e o bom George Clooney na direção, o longa se arrasta na primeira hora e desenvolve pouca as situações propostas. Inclusive, em alguns momentos, parece haver uma indefinição de gêneros quando a trilha sonora passa a inserir tons de 'comédia pastelão' onde não há situações para isso. Há, sim, um humor em certas cenas, mas é bem rasteiro o que não justifica a inserção da trilha.

Após o lenga-lenga inicial, o filme melhora consideravelmente em sua segunda metade ao mostrar a caçada às tais obras do título em um ritmo mais contagiante. A dramaticidade ganha contornos mais intensos e os mistérios da temática se desvendam de forma interessante.

"Caçadores de obras-primas" é bem produzido, tem diálogos inspirados sobre a importância da arte e suas ambientações e a 'fotografia da destruição' são fieis ao caos da guerra, porém é pouco emblemático e poderia ser mais emocionante. A produção é como um museu de história, é conservador e fascina pelo passado, mas não te cativa a retornar tão cedo. Quem for encarar o filme como aventura, certamente, se decepcionará.

Caçadores de Obras-Primas (The Monuments Men)
EUA / Alemanha, 2014 - 118 minutos
Drama / Guerra
Direção: George Clooney
Roteiro: George Clooney, Grant Heslov
Elenco: George Clooney, Matt Damon, Cate Blanchett, John Goodman, Bill Murray, Jean Dujardin, Hugh Bonneville, Bob Balaban, Dimitri Leonidas, Justus von Dohnányi, Holger Handtke
Cotação: * * *

Termômetro:
- Humor: * *
- Drama: * * *
- Romance: *
- Fantasia: *
- Ação / Aventura: * *
- Policial: *
- Suspense: * *
- Sexualidade: *
- Escatologia: *
- Violência: * *
- Efeitos especiais: *

quarta-feira, 5 de março de 2014

O Grande Heroi

Assim como diversas novas tecnologias que precisam de algum tipo de confronto para serem testadas, o gênero guerra precisa se inspirar em novos eventos com diferentes pontos de vistas para não cair na mesmice. “O Grande Heroi” não foge dos tradicionais clichês (e patriotismo), mas se destaca por apresentar novas situações que são trabalhadas de forma criativa e de ação pouco convencional.

A trama, baseada em fatos reais, gira em torno de quatro soldados norte-americanos que foram designados a matar um membro da Al-Qaeda na batalha do Afeganistão, em 2005. O problema é que algo não planejado comprometeu a missão fazendo com que todos sejam caçados pelos inimigos, obrigando-os a lutarem pela sobrevivência sob forte fogo cruzado.

O filme é mais realização que mérito narrativo e, portanto, a direção de Peter Berg é o ponto alto da produção ao proporcionar sequências de guerra intensas, com nível elevado de nervosismo e com ritmo de tirar o fôlego. Além disso, a eficiente dramaticidade, aliada as boas fotografia e trilha sonora, imprime um realismo incrível principalmente dos 40 minutos em diante de ininterrupta ação (a cena em que soldados despencam de uma montanha rochosa é extraordinária!).

“O Grande Herói” oferece boas doses de tiroteios e muita tensão. Fazia tempo que não aparecia um filme do gênero tão impactante e emocionante como este. Certamente, é um dos melhores filmes de guerra desde “O Resgate do Soldado Ryan” e “Atrás das Linhas Inimigas”.

A título de curiosidade, a tal operação retratada aqui, nomeada de 'Red Wings', é considerada um dos maiores fracassos militares nos Estados Unidos naquela época.

O grande herói (Lone Survivor)
2013, EUA – 121 minutos
Guerra
Direção: Peter Berg
Roteiro: Peter Berg
Elenco: Mark Wahlberg, Taylor Kitsch, Alexander Ludwig, Ben Foster, Emile Hirsch, Eric Bana, Jerry Ferrara, Nicholas Patel, Sammy Sheik, Scott Elrod, Sterling Jones, Yousuf Azami
Cotação: * * * *

Termômetro:
- Humor: *
- Drama: * * * *
- Romance: *
- Fantasia: *
- Ação / Aventura: * * * * *
- Policial: *
- Suspense: * * * *
- Sexualidade: *
- Escatologia: * *
- Violência: * * * *
- Efeitos especiais: * * *

domingo, 9 de dezembro de 2012

Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles

Invasões de alienígenas à Terra têm sido uma temática recorrente no cinema nos últimos anos. Confesso que curto esse tipo de produção, mas não são todos que apreciam o subgênero. “Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles” é mais um a figurar nesse segmento, mas esbarra por ‘ocultar’ demais a tal invasão para os espectadores.
 
O filme lembra muito o bom “Skyline – A invasão” e a narrativa mostra o ponto de vista de um sargento do exército quase aposentado (e de seus comandados) sobre a incursão que é semelhante àquela de “Skyline”. A trama coloca fuzileiros navais numa missão de resgate de civis em um bairro da ‘Cidade dos Anjos’ e acabam sendo emboscados pelos visitantes hostis.
 
Infelizmente, o longa é frustrante em relação ao ótimo trailer. Os conflitos bobos entre os personagens e os esperados clichês temáticos (corrida contra o tempo, heroísmo, superação e lembranças do passado) não incomodam tanto, mas o fraco roteiro que traz informações vazias e a ambientação empoeirada evitam que o espectador conheça os vilões que mal aparecem na tela.
 
Além disso, o ritmo ora acelerado demais na ação ora lento demais nos dramas, que não convencem, prejudicam ainda mais a narrativa. O que poderia ser um diferencial acaba não empolgando. É o caso das sequências de guerra que parecem ter sido compiladas de outros filmes e decepcionam por seu convencionalismo. A câmera sempre trêmula, o cenário esfumaçante de destruição e as cenas militares de fuga, tiroteios, resgate e sobrevivência nos remetem a “Falcão Negro em Perigo”.
 
Tecnicamente, a “Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles” tem suas qualidades, tem um elenco que poderia render melhor e até um suspense que funciona em alguns momentos, mas falta uma direção mais eficiente e uma estória mais ‘explicativa’. Talvez, por isso, não há uma cena de destaque. Da última safra sobre invasões alienígenas, o melhor ainda é “Distrito 9”.
 
Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles (Battle: Los Angeles)
EUA, 2011 - 116 minutos
Ficção Científica / Guerra
Direção: Jonathan Liebesman
Roteiro: Christopher Bertolini
Elenco: Aaron Eckhart, Michelle Rodriguez, Ramón Rodríguez, Bridget Moynahan, Ne-Yo, Michael Peña
Cotação: *

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Flores do oriente

A Segunda Guerra Mundial nunca foi ‘tão bela’ como em “Flores do oriente”, filme do cineasta chinês Zhang Yimou, o mesmo de “Heroi” e “O clã das adagas voadoras”. O curioso é que a produção não foi muito bem recebida pela crítica cinematográfica brasileira, ou, pelo menos, por boa parte dos apreciadores dos principais jornais e sites que criticaram a excessividade plástica sobre o sentimentalismo, o que é uma injustiça.
 
Discordo do tão criticado desequilíbrio e tampouco a dramaticidade ficou ofuscada pela plasticidade, pelo contrário, ambos se complementam para enriquecer a diegese. “Flores do oriente” é, sim, sensacional e envolvente, tanto no que diz respeito ao realismo e na estética como na atuação do elenco e no bom roteiro, que é baseado no romance “The 13 Women of Nanjing”, do autor chinês Yan Geling, que retrata o famoso massacre de Nanquim, na China, em 1937, em que milhares de mulheres foram estupradas e mortas pelas tropas japonesas.
 
A narrativa possui quatro momentos: a chegada de um agente funerário norte-americano (personagem bem interpretado por Christian Bale) a Nanquim que tem a incumbência de enterrar o sacerdote da cidade; um pequeno confronto entre soldados japoneses e chineses; o refúgio de crianças e prostitutas na igreja e o coveiro que se finge de padre para defender as pessoas que estão no local.
 
A estética de “Flores do oriente” é tão bela que há situações em que a violência estilizada, aliada a outros componentes técnicos (câmeras lentas, fotografia de cores fortes, trilha sonora com tons de violino, belos figurinos e direção de arte), soa como poesia. Isso trás uma veracidade dramática intensa que contagia e emociona o espectador de forma pontual.
 
O realismo e a crueldade são outros destaques, principalmente nas cenas e cenário de guerra que, diga-se de passagem, são as melhores desde “O resgate do soldado Ryan”. A imposição sobre as crianças em relação ao ‘fim da inocência’ ou do amadurecimento forçado frente ao conflito e a selvageria dos soldados japoneses é forte e comovente, principalmente quando elas sofrem tentativas de estupro.
 
Talvez o único exagero seja o tratamento dado aos japoneses que parecem animais impiedosos. Não duvido que isso tenha acontecido, já que se trata de um dos episódios mais brutais da história. Isso me faz lembrar a tal ‘licença poética’: quando a verdade é exposta de maneira crua, ela pode espantar e incomodar o espectador; se a verdade é mostrada de forma branda, o drama pode perder valor por não ser convincente. É aí que a plasticidade e a dramaticidade de “Flores do oriente” se destacam por equilibrar ações e por deslumbrar uma tragédia 'indeslumbrável'.
 
Flores do oriente (Jin Líng Shí San Chai)
China, 2011 - 146 minutos
Drama / Guerra
Direção: Zhang Yimou
Roteiro: Liu Heng, Yan Geling
Elenco: Christian Bale, Ni Ni, Zhang Zinyi, Dawei Tong, Huang Tianyuan, Paul Schneider
Trailer: clique aqui
Cotação: * * * * *

sábado, 29 de setembro de 2012

Atrás das linhas inimigas

O realismo no cinema foi sempre uma tendência que esteve em evolução e aprimoramento, principalmente nos filmes que exigem ter situações de ação, como lutas, tiroteios, explosões e velocidade. O gênero guerra se encaixa nessa exigência e seu auge na ‘hiper veracidade’ foi “O resgate do soldado Ryan” (1998), de Steven Spielberg. O conceito realista de Spielberg foi inevitavelmente difundido e fitas como “Atrás das linhas inimigas” surgiram e se tornaram referências do realismo na sétima arte.
 
A trama fala do aviador naval, Chris Burnett (Owen Wilson), que está frustrado por ter não ter participado de nenhum combate. Quando ele é escalado para uma missão de reconhecimento na Bósnia, seu avião é abatido após tirar fotos de guerrilheiros sérvios que estão na região e seu objetivo passa a ser o de sobreviver. Paralelamente a isso, o almirante Reignart (Gene Hackman) enfrenta burocracias na marinha para viabilizar o resgate de seu soldado.
 
“Atrás das linhas inimigas”, filme de estreia do diretor John Moore (mais tarde faria "O Voo da Fênix", a refilmagem de "A Profecia" e "Max Payne"), mescla o realismo ‘estilo Spielberg’ com o ritmo e a edição frenética ‘estilo Tony Scott’. Além da pirotecnia e do visual ‘cool’ como atratividades, a história e o roteiro são inteligentemente interessantes, ainda que partam da tradicional premissa sobre luta pela sobrevivência e resgate.
 
Todas as situações, tanto as dramáticas como as cenas de guerra, são muito bem ensaiadas e de tensão contagiante. Há momentos em que a sensação é de estar vendo algo documental e se essa ideia convencer o espectador então o realismo foi bem trabalhado e fez a diferença.
 
Outro quesito que complementa a verossimilhança da obra é o detalhismo executado pela direção de arte e pela equipe de efeitos especiais. A impressão de sujeira é constante, câmeras trêmulas e lentas descrevem a espetacularização de cenas com chuva de detritos das explosões e tiroteios, há diversos planos detalhes bacanas e a engenharia de som promove zumbidos de balas e barulhos de fogo de arrepiar para quem tem home theater.
 
Não poderia deixar de contar as extraordinárias cenas de ação iniciais, em que o caça do protagonista tenta fugir do míssil inimigo. A perseguição é regada com muita adrenalina e proporciona um dos melhores momentos cinematográficos em manobras aéreas. “Atrás das linhas inimigas” é um deleite para os fãs do gênero. Claro, o longa deve ser encarado como entretenimento e quando você for assisti-lo não se esqueça de aumentar o som!
 
Atrás das linhas inimigas (Behind Enemy Lines)
EUA, 2001 – 106 minutos
Guerra
Direção: John Moore
Roteiro: David Veloz, Jim Thomas, John Thomas, Zak Penn
Elenco: Owen Wilson, Gene Hackman, Joaquim de Almeida, David Keith, Olek Krupa
Trailer: clique aqui
Cotação: * * * * *

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Pearl Harbor

Em seu lançamento no início dos anos 2000, “Pearl Harbor” foi considerado o ‘novo Titanic’. De fato, tinha tudo para ser, já que reciclou quase todos os clichês utilizados por James Cameron: tragédias, heroísmo, situações melodramáticas, romances entre outros. O resultado ficou esteticamente belo, porém romanticamente bobo e vazio. 

O filme, que trazia os badalados Michael Bay na direção, Jerry Bruckheimer na produção e seus 140 milhões de dólares no orçamento, foi fracasso de criticas e de bilheteria nos EUA. O desastroso roteiro com muitos diálogos esdrúxulos, o romance ‘triplamente’ piegas e a escolha de protagonistas sem carisma (Ben Affleck e Josh Hartnett) condenaram “Pearl Harbor” ao insucesso. 

É nítido que Michael Bay não tem habilidade para conduzir esse tipo de história amorosa. Contudo, o diretor é especialista no gênero ação e aqui ele não decepciona ao refilmar o fato histórico, já mostrado em “Tora tora tora!”, sobre o ataque japonês à base de Pearl Harbor, no Havaí, ponto chave para os Estados Unidos entrarem de vez na 2ª Guerra Mundial. 

São as paisagens magníficas, as boas e longas cenas de guerra e explosões espetaculares que interessam em “Pearl Harbor”. Tecnicamente, a produção é bastante eficiente ao trazer realismo nas destruições com efeitos visuais de primeira, bela fotografia, trilha sonora caprichada de Hans Zimmer, engenharia de som impecável e perseguições aéreas sensacionais. 

Apesar das intermináveis 3 horas de duração, do romance ‘mela-cueca’ e de não entrar muito na análise política sobre o acontecimento, são o caos e o cenário ‘militar’ que nos entretêm em “Pearl Harbor”. Só de ver como os japoneses afundaram 21 navios, destruíram 188 aviões e mataram 2409 soldados americanos já vale uma espiada. 

Pearl Harbor 
EUA, 2001 - 183 minutos 
Romance / Guerra 
Direção: Michael Bay 
Roteiro: Randall Wallace 
Elenco: Ben Affleck, Josh Hartnett, Kate Beckinsale, Ewan Bremner, Alec Baldwin, James King, Jon Voight, Dan Aykroyd, Cuba Gooding Jr., Tom Sizemore 
Cotação: * * *

sábado, 28 de abril de 2012

Céu em chamas

Geralmente, os melhores filmes sobre o Holocausto são norte-americanos. Embora seja um tema convencional, ainda existem produções que insistem em abordar esse fato histórico. Um desses trabalhos é “Céu em chamas”, que traz, além de bom entretenimento fora de Hollywood, a Segunda Guerra Mundial aos olhos dos russos.

Depois que uma aeronave soviética cai em território ocupado pelos nazistas, o piloto Grivtsov, a operadora de rádio Katya e o navegador Linko sobrevivem à queda, mas cada um deles tem destinos diferentes na grande guerra. Ambos terão de cumprir tarefas militares para sobreviverem e tentar encontrar o caminho de volta à base.

“Céu em chamas” carece de uma direção mais experiente ou ousada em relação a sua essência dramática. Exemplos disso são os pequenos deslizes notáveis durante a projeção, como a trilha sonora sem criatividade, a subtrama amorosa que é mal construída e sem emoção e a edição que contém inúmeras transições ruins, de cortes que não deixam a dramaticidade de certas cenas serem concluídas (parecem cortes televisivos antes do intervalo comercial).

Por outro lado, a maioria das situações de combate é bem coreografada, como explosões, tiroteios, fugas e os poucos combates aéreos (os efeitos visuais poderiam ser melhores, mas não comprometem o realismo). Algumas cenas impressionam, como as sequências iniciais e finais, e outras faltam impacto. A trajetória dos protagonistas, contatos sempre de forma linear, também chama a atenção e contagia o espectador pela intensidade do desenrolar dos fatos, seja pelos bastidores do exército alemão ou pelo cenário de guerra.

O filme não foge dos clichês do gênero e, surpreendentemente, os expõe na narrativa de maneira atrativa, sem evidenciar tanto o romance. O olhar russo sobre o Holocausto não difere tanto do que conhecemos de outras produções, sobretudo das norte-americanas, mas a representação do acontecimento é tão eficiente quanto. Aqui, há toda a tristeza dos campos de concentração nazistas e, também, a aura heroica na esperança da sobrevivência e da vitória.

No geral, é uma produção com direção de arte e figurinos convincentes, elenco ‘ok’ e com ritmo denso. Mesmo tendo três horas de duração, o filme não cansa. Ainda que o contexto histórico não exponha tantas novidades (somente mostra a criação de ‘agentes duplos’), “Céu em chamas” proporciona o que o 'povão' procura: divertimento.

Céu em chamas (Ballada o Bombere)
Rússia/Ucrânia, 2011 – 189 minutos.
Guerra
Direção: Vitaliy Vorobyov
Roteiro: Arkadiy Tigay
Elenco: Nikita Efremov, Ekaterina Astakhova, Aleksandr Davydov
Trailer: clique aqui
Cotação: * * *

quinta-feira, 8 de março de 2012

Cavalo de guerra

Steven Spielberg é um dos maiores diretores da sétima arte e já provou isso em seu repertório de filmes de grandes sucessos, tanto de crítica como de bilheteria. Quando ele quer algo sério ele ‘arrasa quarteirões’, do contrário o cineasta sempre mantém seu olhar artístico nos longas que dirige. “Cavalo de guerra” é assim: belo, com cenas bem montadas, mas com história despretensiosa e bobinha adaptada do romance infantil de Michael Morpurgo.

A história gira em torno do tal cavalo do título que é arrematado por um fazendeiro em um leilão. Quando a Primeira Guerra chega à Inglaterra, o fazendeiro vende o equino para o exército frustrando o seu filho, que pegou amor pelo animal. E aí começa uma jornada ‘sofrimental’ do cavalo vivenciando várias situações do evento sangrento.

A relação entre homem e animal já foi bastante explorada pelo cinema, assim como a Primeira Guerra Mundial. Para que essa mistura não ficasse cansativa, Spielberg impôs bom ritmo à película ao optar pelo formato ‘road movie’, em que o cavalo ‘passeia’ pela grande guerra interagindo com vários ‘donos’ e mostrando ao espectador algumas interessantes peculiaridades da batalha. Isso foi certeiro pelo diretor, já que as ações foram dinamizadas na trama e o melodrama ficou em segundo plano em boa parte da projeção (apenas no início e no fim essa carga dramática é mais intensa).

Apesar da previsibilidade narrativa, o que não ficou bom foram detalhes que deixaram algumas situações inconvincentes. Exemplo disso é o excesso de paixão de alguns personagens para com o cavalo que soa piegas em certos momentos, a mensagem purista contra a guerra em seu clímax e até na própria personalidade do animal, que ora emociona pela inteligência e alma guerreira ora suas ações soam de maneira forçada e boba.

Tecnicamente, “Cavalo de guerra” é deslumbrante, principalmente por sua fotografia e as belas tomadas de paisagem com imagens dignas de ser molduradas. As cenas de guerra são eficientes, nada parecido com a crueldade de “O resgate do soldado Ryan”, mas ajudam a manter a atenção do espectador até seu desfecho. Enfim, o longa tem pedigree e a beleza de um equino, mas carece de força e intelectualidade em seu conteúdo, o que faz do filme um dos trabalhos mais medíocres e ocos de Spielberg.

Cavalo de guerra (War Horse)
EUA, 2011 - 146 minutos
Drama/Guerra
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Lee Hall, Richard Curtis
Elenco: Emily Watson, David Thewlis, Peter Mullan, Niels Arestrup, Tom Hiddleston, Benedict Cumberbatch, Toby Kebbell, Patrick Kennedy, David Kross, Celine Buckens, Robert Emms, Rainer Bock, Geoff Bell, Leonard Carow, Matt Milne.
Trailer: clique aqui
Cotação: * * *

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Bastardos Inglórios

Temáticas e situações sobre a Segunda Guerra Mundial estão mais que saturadas no cinema. Para fugir desse convencionalismo, só mesmo a autenticidade de Quentin Tarantino para misturar personagens reais e fictícios numa trama que reinventa a morte do maior ditador que o mundo já viu.

Depois de 10 anos escrevendo o roteiro de “Bastardos Inglórios”, Tarantino nos mostra um trabalho maduro que traz três narrativas que se interligam. Há a história de um coronel alemão na caça aos judeus, a jornada de um grupo de soldados antinazistas que leva o nome do longa e, por fim, uma francesa que testemunha a execução de sua família pelas mãos do tal coronel e planeja vingança.

Todos os elementos que fazem do diretor/roteirista um autêntico selo de qualidade estão no filme. Há o ritmo lento, o ótimo texto organizado na forma de capítulos, a mistura de linguagens, a inserção de planos e travellings, os diálogos impagáveis, a violência ‘tarantinesca’, trama sobre vingança, referências cinematográficas, humor e personagens caricatos, como o tenente Aldo Rayne, muito bem protagonizado por Brad Pitt.

O maior destaque do longa é a atuação memorável do austríaco Christoph Waltz, que deu vida ao coronel nazista Hans Landa. A elegância de sua crueldade, a ironia e a frieza de sua inteligência transformam seu personagem “Caçador de Judeus” em uma figura emblemática e inesquecível.

Há cenas dignas de aplausos, como a tensa e longa conversa entre o coronel nazista e um fazendeiro francês na abertura do filme e o excelente clímax. “Bastardos Inglórios” pode não ser a obra-prima de Tarantino, embora ele auto-proclame no desfecho, mas é uma das produções mais fascinantes de sua carreira.

Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds)
EUA, 2009 – 153 minutos
Guerra
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Elenco: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth, Michael Fassbender, Diane Kruger, Daniel Brühl, Til Schweiger, Gedeon Burkhard, Jacky Ido, B.J. Novak, Omar Doom, August Diehl, Denis Menochet
Trailer: clique aqui 
Cotação: * * * * *