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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Doutor Sono

Inspirado em livro de mesmo nome do escritor Stephen King, lançado em 2013, o longa “Doutor Sono” é considerado a continuação do terror cult “O Iluminado” (1980), de Stanley Kubrick. Há muita reverência ao filme oitentista, mas, também, desequilíbrios de concepções entre as obras, os quais poderão frustrar os fãs do clássico.
 
Existem três situações em “Doutor Sono”: um grupo de ciganos/bruxos que possui um estranho poder sobrenatural que se alimenta da ‘energia’ das pessoas; uma garota com poderes telepáticos e Danny Torrance (interpretado pelo competente Ewan McGregor), o garotinho de “O Iluminado”, que vive atormentado pelos eventos ocorridos no mal assombrado Hotel Overlook.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Um lugar silencioso

Já não é de hoje que o conceito de ‘terror’ no cinema anda meio banalizado. A maioria dessas produções não se preocupa tanto em desenvolver narrativas e/ou concepções no intuito de provocar reações emocionais genuinamente incômodas nos espectadores. Em outras palavras, não há uma eficiência em causar o ‘medo’ em quem assiste ao filme. Devido a isso, muitos longas optam pelo ‘caminho mai$ fácil’ ao investirem em criaturas bizarras, em histórias rasas, na repugnância, na sanguinolência e em ‘jump scare’ (susto) gratuitos para promoverem o gênero.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A cura (opinião em até 150 caracteres)

Esteticamente belo, excessivamente longo e narrativamente confuso.

A cura (A Cure for Wellness)
2017, EUA/GRA/IRL - 146 minutos
Suspense/Terror
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: Gore Verbinski, Justin Haythe
Elenco: Dane DeHaan, Jason Isaacs, Mia Goth, Adrian Schiller, Angelina Häntsch, Annette Lober, Ashok Mandanna, Bert Tischendorf, Carl Lumbly, Celia Imrie
Cotação: * *

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Medo produndo

Filmes sobre ameaça de tubarão - ou derivados disso - já foram amplamente produzidos pelo cinema. No entanto, poucos conseguiram a façanha de serem realmente bons, proeza conquistada por "Medo profundo". Embora tenha uma premissa convencional (duas irmãs ficam presas em uma gaiola subaquática no fundo do mar), o longa se sobressai ao trabalhar os clichês do gênero com criatividade desenvolvendo as circunstâncias sem nenhuma pressa. Inclusive, o ritmo compassado, aliado com as situações vividas pelas protagonistas (contagem regressiva para a falta de ar, ambiente hostil e a ameaça quase invisível de tubarões), valoriza o ótimo terror psicológico construído pelo diretor Johannes Roberts.

sábado, 13 de maio de 2017

Corra!

"Corra!" é um suspense repleto de mistério que mostra um jovem negro, Chris, que está prestes a conhecer a família da namorada caucasiana Rose. Ao conhecer os pais e o irmão de sua garota, que são carinhosamente receptivos, ele desconfia que algo está errado e precisa fugir dali o quanto antes. A partir daí, tudo que for dito sobre a história será spoiler.
 
O filme começa lento e ganha cada vez mais ritmo quando novas caras aparecem em cena. Isso é proposital, já que o diretor estreante e roteirista Jordan Peele procura inserir o espectador no ambiente familiar e aconchegante de Rose para dar mais eficiência ao suspense.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Aliados

"Aliados" é um filme de espionagem na Segunda Guerra Mundial que tem potencial para ser espetacular, mas não é. A trama gira em torno de dois espiões (Brad Pitt e Marion Cotillard) que se apaixonam e se casam após uma missão no Marrocos. A paz do casal acaba quando ele é informado por seus superiores que ela pode ser uma agente dupla.
 
Após um primeiro ato interessante e promissor, o frágil roteiro faz com que o restante do filme, repleto de mistério, se torne cansativo e pouco surpreendente.

sábado, 3 de setembro de 2016

Demônio de Neon

"Demônio de Neon", dirigido por Nicolas Winding Refn (NWR), do premiado "Drive", traz o que o cineasta tem de melhor: apuro técnico. Entretanto, o roteiro, escrito por ele, que retrata de forma curiosa e obscura os bastidores da indústria da moda, com ponto de vista de uma modelo iniciante, pode causar incômodo em seu terceiro ato pelo radicalismo na transição de gêneros.

Até que a reviravolta aconteça, o filme é envolvente ao apresentar uma estética de cores fortes, ritmo lento, enquadramentos estáticos, tomadas em slowmotion e movimentos singelos de câmera.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Jason Bourne

Jason Bourne está de volta! Após 9 anos desde "O ultimato Bourne" (descarto o fraquíssimo "O legado Bourne"), a cinessérie retorna com muito fôlego e com um Matt Damon ainda em forma para ação.

A direção deste quarto longa fica a cargo do ótimo Paul Greengrass que traz, novamente, seu estilo de filmagem que tanto fez sucesso nos dois últimos "Bournes" para nos proporcionar entretenimento de qualidade. Com a câmera sempre inquieta, cortes rápidos (mas nunca confusos) e ritmo ágil, o cineasta é um mestre na construção de tensão e aqui ele não decepciona nas boas sequências de perseguição, embora nenhuma seja surpreendente.

terça-feira, 28 de junho de 2016

A onda

É difícil ver filmes do subgênero catástrofe longe de Hollywood. Longas que retratam desastres naturais ou destruições demandam altos investimentos em efeitos especiais. Por isso, a maioria dessas produções é feita nos Estados Unidos, onde há recursos de grandes produtoras e bom mercado para o gênero.

Entretanto, se engana quem pensa que somente os norte-americanos sabem brincar com o tema. Os noruegueses também sabem e o filme "A onda" é prova disso.

domingo, 3 de janeiro de 2016

O quarto de Jack

O tema não é novidade. Recentemente, o filme "Sequestros em Cleveland" tratou do mesmo assunto, porém, com mais crueldade. Entretanto, no longa "O quarto de Jack" o foco é o ponto de vista da criança, que durante seus 5 anos de vida, confinado junto à mãe em um pequeno quarto, nunca teve a oportunidade de 'conhecer o mundo'. E é aí que a produção se destaca: com a mãe que se esforça ao tentar blindar o filho daquela situação, e o garoto quando vislumbra o mundo pela primeira vez. Ambos os momentos são emocionantes e reflexivos podendo render boas discussões psicológicas. Direção e roteiro estão encaixadinhos, mas o bom mesmo é a dupla central, que dá show de interpretação, principalmente o rapazinho Jacob Tremblay.
 
O quarto de Jack (Room)
2015, EUA - 119 minutos
Comédia / Faroeste
Direção: Lenny Abrahamson
Roteiro: Emma Donoghue
Elenco: Brie Larson, Jacob Tremblay, Joan Allen, William H. Macy, Amanda Brugel 
Cotação: * * * *
 
Termômetro:
- Humor: * *
- Drama: * * * * *
- Romance: *
- Fantasia: * 
- Ação / Aventura: * 
- Policial: * *
- Suspense: * * * *  
- Sexualidade: * *
- Escatologia: *    
- Violência: * *

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Fora de alcance

"Fora de alcance" é um suspense bem filmado. A fotografia valoriza o calor das paisagens e, também, a agonia do protagonista que é caçado e afetado pela insolação ao caminhar pelo deserto californiano. Além de bom ritmo, o roteiro simples oferece boas cenas de tensão e prende a atenção do espectador pela intensa perseguição 'gato-e-rato' e pelas ações de sobrevivência do 'rato'. O único 'porém' é que a produção possui alguns clichês e exageros (nada grotescos) que poderão incomodar os mais exigentes. Destaque para Michael Douglas, que interpreta um milionário misterioso, maquiavélico e impiedoso. Apesar de o final ser descartável (a última cena poderia ter sido cortada, o que daria ênfase à crítica ao capitalismo e uma aura interessante e perturbadora à narrativa), o filme é um bom entretenimento.
 
Fora de alcance (Beyond the Reach)
2014, EUA - 95 minutos
Suspense
Direção: Jean-Baptiste Léonetti
Roteiro: Stephen Susco
Elenco: Jeremy Irvine, Michael Douglas, David Garver, Hanna Mangan Lawrence, Patricia Bethune, Ronny Cox
Cotação: * * *
 
Termômetro:
- Humor: *
- Drama: * * *
- Romance: * *
- Fantasia: *
- Ação / Aventura: * *
- Policial: *
- Suspense: * * * *  
- Sexualidade: * *
- Escatologia: *   
- Violência: * * *

terça-feira, 30 de junho de 2015

Mar Negro

"Mar Negro" é um filme de caça ao tesouro. A premissa é convencional, mas seu cenário foge do que estamos acostumados a ver em relação ao tema. Doze tripulantes de um submarino, comandados por um capitão protagonizado pelo ótimo Jude Law, estão em uma missão secreta para resgatar milhões em barras de ouro que estão em um submarino nazista naufragado desde a Segunda Guerra Mundial. O ponto fraco do longa é o roteiro que se inspira em um emaranhado de clichês para criar conflitos e situações dramáticas. Infelizmente, isso dá abertura para furos na narrativa e torna o filme previsível, o que pode incomodar os mais exigentes. Apesar disso, "Mar Negro" tem uma produção bem feita e um diretor que soube criar uma eficiente atmosfera claustrofóbica que proporciona bons momentos de suspense. E é isso que prende a atenção do público.

Mar Negro (Black Sea)
2014, GRB/IRL - 115 minutos
Suspense
Direção: Kevin Macdonald  
Roteiro: Dennis Kelly
Elenco: Jude Law, Ben Mendelsohn, Grigoriy Dobrygin, Scoot McNairy
Cotação: * * *

Termômetro: 
- Humor: * 
- Drama: * * *
- Romance: *  
- Fantasia: * 
- Ação / Aventura: * *
- Policial: * 
- Suspense: * * * *  
- Sexualidade: * 
- Escatologia: * * 
- Violência: * * * 

domingo, 17 de maio de 2015

Hacker

Dirigido por Michael Mann, "Hacker" gira em torno da perseguição de autoridades chinesas e norte-americanas para capturar um 'terrorista virtual'. O longa funciona como suspense e prende a atenção nas cenas em que esse gênero é exigido na trama. Entretanto, como policial o longa deixa a desejar ao imprimir um ritmo lento demais e momentos investigativos inconvincentes. Ainda que tenha uma premissa interessante e algumas boas cenas de tensão, o roteiro é frágil ao criar soluções rápidas para as ações dos 'gatos' atrás dos 'ratos' o que pode incomodar os mais exigentes. Tecnicamente, tem bom apuro visual, boa fotografia e movimentos de câmeras eficientes, qualidades peculiares dos trabalhos de Mann que, infelizmente, não salvam a produção da mediocridade.

Hacker (Blackhat)
EUA, 2015 - 133 minutos 
Suspense / Policial
Direção: Michael Mann 
Roteiro: Michael Mann e Morgan Davis Foehl  
Elenco: Chris Hemsworth, Archie Kao, Viola Davis, Ritchie Coster, Yorick van Wageningen, Wei Tang
Cotação: * * 

Termômetro: 
- Humor: *
- Drama: * * 
- Romance: * *
- Fantasia: * *
- Ação / Aventura: * *
- Policial: * * *
- Suspense: * * * *  
- Sexualidade: *  
- Escatologia: * 
- Violência: * * *

quinta-feira, 13 de março de 2014

Sem escalas

“Sem Escalas” é um filme que tenta fugir do clichê, mas acaba caindo nele. A premissa sobre ‘sequestro ou suspense de avião’ foi incansavelmente utilizada no cinema, como “Comando Delta”, “Passageiro 57”, “Momento Crítico”, “Turbulência”, “Força Aérea Um”, “Plano de Voo”, “Voo 93” entre outros, mas ainda segue divertida. Tudo é montado de tal forma que todos pareçam suspeitos, incluindo o protagonista, que tenta investigar as ameaças a bordo. A atmosfera pseudo-engenhosa cria uma paranóia curiosa e isso só tende a favorecer o mistério e a tensão que se mostram eficientes do início ao fim. No entanto, as reviravoltas se revelam convencionais e isso pode não agradar os mais exigentes. No geral, é um passatempo dos bons com atuação firme de Liam Neeson, o atual 'cara' dos filmes de ação.

Sem escalas (Non-Stop)
EUA, 2014 - 106 minutos
Suspense
Direção: Jaume Collet-Serra
Roteiro: John W. Richardson, Chris Roach, Ryan Engle
Elenco: Liam Neeson, Julianne Moore, Scoot McNairy, Michelle Dockery, Nate Parker, Corey Stoll, Lupita Nyong'o, Jason Butler Harner, Omar Metwally, Quinn McColgan, Frank Deal, Anson Mount
Cotação: * * *

Termômetro:
- Humor: *
- Drama: * *
- Romance: *
- Fantasia: * *
- Ação / Aventura: * * *
- Policial: * * *
- Suspense: * * * *
- Sexualidade: *
- Escatologia: *
- Violência: * * *
- Efeitos especiais: * *

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Capitão Phillips

É impressionante a eficiência que tem o diretor Paul Greengrass em reproduzir acontecimentos reais. Em “Capitão Phillips”, filme inspirado em fatos verídicos que mostra o sequestro do personagem título provocado por piratas somalianos, Paul resgata sua pegada de “Voo United 93” e faz um retrato realista do tal evento com altas doses de suspense ininterrupto.

O bom roteiro é objetivo na construção da atmosfera 'pré acontecimento' e logo desenvolve as ações em um ritmo intenso. As cenas são orquestradas com inteligência e detalhismo de procedimentos com contornos extremamente tensos, vide a perseguição marítima e a invasão dos piratas ao navio cargueiro na primeira hora que são sensacionais.

A dramaticidade entre sequestrador e sequestrado impera na narrativa em sua segunda metade de forma nervosa e é em meio a isso que vemos os shows de interpretações de Tom Hanks e do somaliano Barkhad Abdi, que foi indicado ao Oscar 2014 como melhor ator coadjuvante.

Impossível não se emocionar com o alívio de Phillips no desfecho do longa. Certamente, "Capitão Phillips" é um dos melhores filmes de 2013.

Capitão Phillips (Captain Phillips)
EUA, 2013 - 134 minutos
Suspense / Drama
Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Billy Ray, Richard Phillips (livro), Stephan Talty (livro)
Elenco: Tom Hanks, Barkhad Abdi, Barkhad Abdirahman, Faysal Ahmed, Mahat M. Ali, Michael Chernus, Catherine Keener, David Warshofsky, Corey Johnson, Chris Mulkey, Yul Vazquez, Max Martini
Cotação: * * * * *

Termômetro:
- Humor: *
- Drama: * * * * * 
- Romance: * 
- Fantasia: *
- Ação / Aventura: * * *
- Suspense: * * * * *
- Sexualidade: *
- Escatologia: *
- Violência: * * *
- Efeitos especiais: *

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O homem de gelo

É difícil de ver filmes sobre gangsteres que fujam de sua atmosfera tradicional. “O homem de gelo” tenta ser diferente pela abordagem de personalidade do personagem principal, mas não consegue surpreender no quesito ‘estilo máfia’ ao se prender demais nos clichês do subgênero.

Tudo é bem orquestrado, o roteiro é encaixadinho, a fotografia transmite perfeitamente a frieza peculiar da temática, tem a violência típica dos mafiosos, a reconstituição de época é convincente e o elenco tem boa atuação (Michael Shannon está ótimo como sempre), mas a direção burocrática de Ariel Vromen carece de criatividade e impacto.

A trama, inspirada em fatos reais, fala sobre um assassino profissional Richard Kukliski que esteve a serviço da máfia por mais de 40 anos no subúrbio de New Jersey. O tal ‘homem de gelo’ do título se refere a um coadjuvante, também psicopata, com o qual Richard se envolve, que matava suas vítimas e as congelava para, algum tempo depois, se desfazer do corpo sem pistas.

O interessante da narrativa, baseada no livro "The Iceman: The True Story of a Cold-Blooded Killer", de Anthony Bruno, e também no documentário “The Iceman Tapes: Conversations with a Killer”, de Jim Thebaut, é o contraste do comportamento do protagonista que se esforça para manter uma vida dupla: ser um dedicado pai de família que faz de tudo para manter o segredo de sua ‘profissão’ e ser um frio especialista em tirar vidas no submundo do crime.

“O homem de gelo” é bom, porém ‘mais do mesmo’.

O homem de gelo (The Iceman)
EUA, 2013 – 107 minutos
Suspense / Policial
Direção: Ariel Vromen
Roteiro: Anthony Bruno, Ariel Vromen, Morgan Land
Elenco: Michael Shannon, Winona Ryder, Ray Liotta, Robert Davi, James Franco, David Schwimmer, Chris Evans
Cotação: * * *

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Prometheus

“Prometheus” é uma introdução de “Alien – O 8º Passageiro”, ambos dirigidos por Ridley Scott, e mostra como surgiu, a partir de diversas combinações genéticas, o famoso alienígena. A trama se sustenta no argumento ‘como tudo começou’ e, para dar mais poesia e complexidade ao prelúdio, orquestra a origem da humanidade. A premissa é interessante e o roteiro desenvolve bem algumas situações, mas, ao mesmo tempo em que amarra os fatos do clássico, peca ao deixar diversas pontas soltas dos novos acontecimentos. Tecnicamente, o filme é impecável, os clichês do gênero e as ações são bem trabalhados e há inúmeras referências ao longa de 1979. Que venha a continuação!

Prometheus
EUA, 2012 - 124 minutos
Ficção científica / Suspense
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Jon Spaihts e Damon Lindelof
Elenco: Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron, Idris Elba, Guy Pearce, Logan Marshall-Green, Sean Harris, Rafe Spall, Kate Dickie, Benedict Wong, Emun Elliott, Patrick Wilson
Cotação: * * *

sábado, 12 de outubro de 2013

Gravidade

O grande trunfo de “Gravidade” é sua ousada realização que trás inúmeros, longos e espetaculares planos sequência que foram magistralmente dirigidos por Alfonso Cuarón. Aqui, os tais planos e travellings valorizam a dramaticidade das cenas, sobretudo na abordagem dos temas solidão e autocontrole, e proporcionam uma incrível tensão de tirar o fôlego!

Tudo é amarrado de forma intensamente eficiente em uma trama simples que trás um suspense espacial claustrofóbico, o melhor desde “Apollo 13”. O filme tem uma história que foge do convencional e basicamente retrata a tentativa de sobrevivência de uma astronauta que está à deriva no espaço e é constantemente ameaçada por uma chuva de detritos que está na órbita da Terra.

Tecnicamente, “Gravidade” é voluptuoso, principalmente no que diz respeito aos impressionantes efeitos visuais que beiram o realismo. Outra boa sacada é a harmonia da engenharia de som com a angustiante trilha sonora de Steven Price que entram em cena em momentos pontuais. Há ruídos aterrorizantes e explosões em gravidade zero, quase silenciosas, que fazem tremer a sala com potentes tons graves dos subwoofers.

O longa ainda apresenta belíssimas cenas espaciais, algumas soam poéticas (como o renascimento da protagonista), e uma atuação inspirada de Sandra Bullock. Apesar de alguns furos na narrativa, como o inexplicável isolamento das estações, e do 3D que poderia ser melhor, “Gravidade” consegue ser uma obra prima do entretenimento. Imperdível! 

Gravidade (Gravity)
EUA/ING, 2013 – 90 minutos
Ficção científica / Drama / Suspense
Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón
Elenco: Sandra Bullock, George Clooney, Eric Michels, Basher Savage, Paul Sharma
Cotação: * * * * *

sábado, 20 de julho de 2013

Chamada de emergência

Filmes com tramas convencionais bem realizadas podem render entretenimentos de primeira, ainda que sejam norteados de clichês. O difícil é fazer com que o fator 'lugar comum' fique equilibrado durante toda a projeção. Talvez esse seja o maior desafio de se trabalhar com estórias manjadas. "Chamada de emergência" é um exemplo de desequilíbrio: tem tema batido, começa bem e surpreende pela eficiência do suspense, mas termina de maneira insatisfatória.
 
A competente Halley Berry interpreta Jordan, uma atendente do serviço de emergência norte-americano 911. Após cometer um erro durante uma chamada em que a vitima de um sequestro em andamento morre, ela é afastada da função e passa a ser uma instrutora de onde trabalha. Em uma aula expositiva no setor de atendimento, ela é obrigada a voltar a ativa para tentar salvar outra vitima de sequestro.
 
Tudo em "Chamada de emergência" parece se inspirar em outras produções do gênero, inclusive o vilão tem personalidade semelhante com aquele em "O silêncio dos inocentes". Diante de tanta trivialidade, o filme se destaca por sua atmosfera de suspense. A tensão e o ritmo ágil, muito bem trabalhados pelo diretor Brad Anderson ("O operário"), são contagiantes e esse são os fatores que valem a diversão proporcionados pelo longa.
 
Trabalhar com tantos clichês exige criatividade e muita atenção dos realizadores para que o produto fique mais aceitável, sem tantos erros. Entretanto, se algum detalhe for mal desenvolvido a possibilidade de pequenos furos se tornar um imenso buraco é grande e aqui não é diferente. A impressão é que gastaram tempo demais na construção da primeira parte do suspense e se esqueceram da coerência das particularidades que norteiam as ações e situações da segunda metade.
 
Mesmo tendo um clímax vingativamente forçado e um desfecho inverossímil que atiçou a ira dos críticos mais exigentes, a produção merecia melhor sorte nas telonas.
 
Chamada de Emergência (The Call)
EUA, 2013 - 96 minutos
Suspense
Direção: Brad Anderson
Roteiro: Richard D'Ovidio
Elenco: Halle Berry, Abigail Breslin e Morris Chestnut.
Cotação: * * *

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Meu namorado é um zumbi

A criatividade tem rondado o subgênero 'mortos-vivos'. Filmes com focos diferenciados sobre o caos global têm dado novo fôlego aos 'andantes esfomeados'. "Meu namorado é um zumbi" talvez seja o que mais distorce o 'conceito zumbi' disseminado pelas produções de terror e surpreende ao inverter valores que retratam o tal apocalipse.

A trama fala de R (Nicholas Hoult), um zumbi que mantém sua rotina diária de procurar pessoas vivas para se alimentar. Quando devora o cérebro do namorado da humana Julie (Teresa Palmer), R absorve suas lembranças e acaba se apaixonando pela moça. Ela, por sua vez, acredita nos sentimentos de R e, juntos, buscam o que seria impossível: uma cura para a epidemia que devastou a humanidade.

A premissa, inicialmente, é difícil de engolir, mas se dermos uma chance à sua proposta descobrimos que o filme é palatável e recheado de reflexões simples e originais. O roteiro mantém algumas características do 'zumbi' (a fome, a agressividade e os trejeitos típicos estão presentes), foge de alguns detalhes (há uma humanização dos monstrengos) e aposta em uma atmosfera esperançosa no intuito de apresentar soluções ao eminente caos.

A produção é uma sátira sobre os 'mortos-vivos' com pitadas de terror e com humor rasteiro eficiente que foge do besteirol. À medida que o roteiro aprofunda no relacionamento entre os protagonistas, o longa ganha contornos dramáticos e românticos (nada piegas) excentricamente interessantes. A partir daí, uma série de acontecimentos traçam a moral da estória que culmina em um clímax reflexivo, ainda que politicamente correto. Tudo isso é acompanhado por uma trilha sonora contagiante e ditado por um ritmo agradável.

Enfim, os atores estão 'ok', a direção Jonathan Levine é segura e o filme não tem pretensões ambiciosas, ainda que não decepcione no visual apocalíptico e no suspense. A magia de "Meu namorado é um zumbi" só funcionará se o espectador estiver disposto a assisti-lo com 'outros olhos' evitando comparações puristas. Caso contrário, o longa pode não ser digerível.

Meu namorado é um zumbi (Warm Bodies)
EUA, 2013 - 98 min.
Comédia / Drama / Romance / Suspense
Direção: Jonathan Levine
Roteiro: Jonathan Levine, Isaac Marion
Elenco: Nicholas Hoult, Teresa Palmer, John Malkovich, Analeigh Tipton, Rob Corddry, Dave Franco, Cory Hardrict
Cotação: * * * *