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domingo, 11 de fevereiro de 2018

Trama Fantasma

"Trama Fantasma", dirigido e roteirizado por Paul Thomas Anderson (PTA) e protagonizado por Daniel Day-Lewis, embarca no cenário da glamorosa moda britânica nos anos 50. A narrativa foca na vida Reynolds Woodcock (Lewis), um renomado e meticuloso costureiro que faz vestidos para realezas e socialites. Ao se apaixonar pela musa e ajudante Alma (Vicky Krieps), sua vida toma um rumo inesperado. Quanto mais se esforça para evitar mudanças em seu cotidiano, mais ele fica preso ao amor que Alma tem a oferecer.

A direção de PTA, assim como seu roteiro, segue impecavelmente o seu estilo cinematográfico.

sábado, 13 de janeiro de 2018

A forma da água

"A forma da água" é encantador, não só pela maneira sensível da direção de Guillermo del Toro, mas por sua premissa curiosa ambientada em plena Guerra Fria, nos anos 60. O diretor nos surpreende ao contar a história de um belo e inusitado romance entre uma criatura fantástica mantida em cativeiro (um homem anfíbio) e uma faxineira muda de um laboratório do governo dos Estados Unidos.
 
O longa me encantou por ter uma essência textual e visual que remete ao ótimo "O fabuloso destino de Amelie Poulain".

sábado, 6 de janeiro de 2018

Me chame pelo seu nome

“Me chame pelo seu nome” coloca o delicado tema sobre homossexualidade no verão de uma Itália dos anos 80 ao falar sobre as descobertas, o primeiro amor, as amizades e as preferências sexuais do único filho adolescente de uma família americana com ascendências italiana e francesa que mora na região. Tudo é filmado de forma lenta e sensível para que o espectador sinta, não apenas empatia com os personagens (em especial sob o ponto de vista de Elio), mas que tenha envolvimento com a ótima ambientação ao revisitar o calor e a rotina da época.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Michelle e Obama

"Michelle e Obama", escrito e dirigido por Richard Tanne, tem a pegada da trilogia "Antes do Amanhecer", "Antes do Pôr-do-Sol" e "Antes da Meia-Noite", do diretor Richard Linklater, em que a narrativa acompanha os protagonistas em um dia de eventos. O longa, de ritmo lento, mostra o primeiro encontro do famoso casal, em 1989. O roteiro costura bons e longos diálogos que reforçam a personalidade e a breve história de cada um.  No entanto, há uma carência de surpresas, mais por parte dele.

Vemos um Obama praticamente pronto. Se você espera ver como surgiram suas inspirações para se tornar o homem político que é, pode esquecer.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Aliados

"Aliados" é um filme de espionagem na Segunda Guerra Mundial que tem potencial para ser espetacular, mas não é. A trama gira em torno de dois espiões (Brad Pitt e Marion Cotillard) que se apaixonam e se casam após uma missão no Marrocos. A paz do casal acaba quando ele é informado por seus superiores que ela pode ser uma agente dupla.
 
Após um primeiro ato interessante e promissor, o frágil roteiro faz com que o restante do filme, repleto de mistério, se torne cansativo e pouco surpreendente.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

A Série Divergente: Convergente

Diante da frustração com "Insurgente" e do desânimo para conferir este "Convergente", o terceiro longa de "A Série Divergente" surpreende 'na medida do possível'. Sem sombra de dúvidas, é bem melhor que o antecessor. Ainda que tenha uma fraca narrativa como a segunda parte e uma Shailene Woodley ainda mais 'canastrona', "Convergente" possui um ritmo melhor e uma trama sci-fi mais consistente e com mais ação. Os efeitos visuais não decepcionam (pelo menos na maioria das cenas) ao contrário do roteiro que é recheado de furos. Muitas situações ficam sem explicações.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Como eu era antes de você

Pegue a pegada romântica de "A culpa é das estrelas" e misture o humor rasteiro e situacional de "Intocáveis". Por fim, coloque pitadas dramáticas de "Mar Adentro". Pronto, aí está a essência de "Como eu era antes de você", que fala de uma garota desajeitada e extravagante que vê sua vida mudar após trabalhar como cuidadora de um tetraplégico, com quem se apaixona. O filme é bonito e agradável de se ver, mas é um pouco insosso quando o assunto é emoção. A direção de Thea Sharrock faz tudo certinho até o clímax, mas economiza na sensibilidade e não emociona como deveria.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Sob o mesmo céu

"Sob o mesmo céu" é o típico filme em que a subtrama é mais interessante que a trama principal. Se o roteiro invertesse a maneira de exposição dos conteúdos, talvez, poderíamos ter um baita filme policial com toques de romance. O romance, diga-se de passagem, é bobinho, quase piegas (a personagem de Emma Stone, à princípio, é meio esquisita). Entretanto, a narrativa carece de um desenvolvimento melhor na trama secundária, principalmente por não apresentar argumentos necessários que justificam as repentinas reviravoltas finais. É uma pena que atores como Bill Murray e Alec Baldwin estão mal aproveitados. Outro lamento é o diretor Cameron Cowe que não implaca um bom filme desde "Vanilla Sky".
 
Sob o mesmo céu (Aloha)
2015, EUA - 105 minutos
Romance/Drama/Comédia
Direção: Cameron Crowe  
Roteiro: Cameron Crowe, Scott Rudin
Elenco: Bradley Cooper, Alec Baldwin, Bill Murray, Danny McBride, Emma Stone, John Krasinski
John Krasinski, Rachel McAdams
Cotação: * *
 
Termômetro:
- Humor: * *
- Drama: * * *
- Romance: * * * *
- Fantasia: *
- Ação / Aventura: *
- Policial: *
- Suspense: *  
- Sexualidade: *
- Escatologia: *   
- Violência: *

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Ponte Aérea

Dirigido por Julia Rezende, "Ponte Aérea" transpira técnica e sensibilidade e cativa o espectador por sua bela narrativa. As boas trilha sonora e fotografia, além dos criativos enquadramentos de câmera, nos faz ficar ainda mais vidrados com o romance. Apesar da reviravolta clichê em seu terceiro ato, o roteiro parece usar a ideia de "Amor sem escalas" para mostrar, de maneira tupiniquim, como os relacionamentos de hoje podem ser surpreendentes, virtuais e 'fast food'. E isso funciona com muita eficiência ao mostrar que o amor, às vezes, pode ser passageiro mesmo sendo intenso e norteado de emoções. O ponto negativo fica por conta das cenas de nudez e sexo que são completamente descartáveis. Destaque para as ótimas e carismáticas atuações de Letícia Colin e Caio Blat.  

Ponte Aérea
BRA, 2015 - 100 minutos
Romance / Drama
Direção: Julia Rezende 
Roteiro: Julia Rezende e L.G. Bayão
Elenco: Caio Blat, Felipe Camargo, Letícia Colin, Martha Nowill, Sílvio Guindane
Cotação: * * * *

Termômetro:
- Humor: * *
- Drama: * * * *
- Romance: * * * * *
- Fantasia: *
- Ação / Aventura: *
- Policial: *
- Suspense: *  
- Sexualidade: * * *
- Escatologia: *
- Violência: *

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Mundos Opostos

Filmes que aplicam o surrealismo com eficiência dão resultados interessantes. É o caso do ousado “Mundos Opostos”, que parte de uma simples premissa para ser uma experiência vertiginosamente curiosa.

A narrativa mostra dois mundos, um sobre o outro, e uma paixão proibida entre uma mulher que vive na riqueza ‘de cima’ e um rapaz que mora entre os menos favorecidos na parte ‘de baixo’. Ambos vão lutar contra tudo e contra todos para que ninguém atrapalhe o amor que os une.

É notável o esforço da produção em trabalhar com os absurdos e parte disso são muito bem contornados ao obedecer a leis da física, o que dão certo ‘realismo gravitacional’ quando o protagonista precisa de soluções ou ir ao 'mundo superior'. Sem falar nos efeitos visuais e fotografia de cores saturadas que são deslumbrantes e deixam o longa ainda mais fascinante.

Inicialmente, o roteiro trabalha bem a ideia proposta e procura ser convincente, mas derrapa na segunda metade ao dar mais atenção para a convencional trama amorosa shakespeariana. Isso deixa a complexidade entre os mundos como plano de fundo e abre espaço para imensos furos e questionamentos sobre algumas passagens.

O que pode incomodar os mais sensíveis em “Mundos Opostos” é justamente seu teor experimental. Devido a tantas cenas que vemos de cabeça para baixo, não se estranhe caso tenha alguma vertigem durante e após a projeção. Talvez seja esse o fator que, infelizmente, fez o filme não ser tão divulgado ou apreciado.

Mundos Opostos (Upside Down)
CAN/FRA, 2012 – 107 minutos
Ficção Científica / Romance / Drama
Direção: Juan Diego Solanas
Roteiro: Juan Diego Solanas e Santiago Amigorena
Elenco: Jim Sturgess, Kirsten Dunst, Don Jordan, Elliott Larson, Heidi Hawkins, Holden Wong, Holly (I) O'Brien, James Kidnie, Jess Sherman, John Maclaren, Larry Day, Nicholas Rose, Vincent Messina
Cotação: * * *

Termômetro:
- Humor: * *
- Drama: * * * *
- Romance: * * * * *
- Fantasia: * * * * * 
- Ação / Aventura: * * *
- Policial: *
- Suspense: * *
- Sexualidade: *
- Escatologia: *
- Violência: * *
- Efeitos especiais: * * * * *

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Amor pleno

“Amor pleno” usufrui da mesma estrutura de “A árvore da vida”, mas com assunto diferente. O problema é que o diretor Terrence Malick, que conduziu ambos os filmes, dosou em excesso as inserções poéticas nas cenas. Tais inspirações funcionaram em seu longa anterior, porém não foi tão eficiente aqui. Assim como em “A árvore da vida”, há belíssimas imagens, poucos diálogos, religiosidade presente na trama e ritmo lento para que o espectador absorva, ou tente absorver, todos os sinais que levam a reflexão temática. Isso acontece, mas de forma confusa e, às vezes, cansativa. É uma pena que o roteiro peque ao exibir uma narrativa inconsistente, principalmente ao deixar em segundo plano a curiosa história sobre um padre com fé abalada que merecia mais atenção.

Amor pleno (To The Wonder)
EUA, 2012 - 112 min.
Drama / Romance
Direção: Terrence Malick
Roteiro: Terrence Malick
Elenco: Ben Affleck, Olga Kurylenko, Javier Bardem, Rachel McAdams, Romina Mondello, Charles Baker, Cassidee Vandalia, Darryl Cox
Cotação: * *

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Meu namorado é um zumbi

A criatividade tem rondado o subgênero 'mortos-vivos'. Filmes com focos diferenciados sobre o caos global têm dado novo fôlego aos 'andantes esfomeados'. "Meu namorado é um zumbi" talvez seja o que mais distorce o 'conceito zumbi' disseminado pelas produções de terror e surpreende ao inverter valores que retratam o tal apocalipse.

A trama fala de R (Nicholas Hoult), um zumbi que mantém sua rotina diária de procurar pessoas vivas para se alimentar. Quando devora o cérebro do namorado da humana Julie (Teresa Palmer), R absorve suas lembranças e acaba se apaixonando pela moça. Ela, por sua vez, acredita nos sentimentos de R e, juntos, buscam o que seria impossível: uma cura para a epidemia que devastou a humanidade.

A premissa, inicialmente, é difícil de engolir, mas se dermos uma chance à sua proposta descobrimos que o filme é palatável e recheado de reflexões simples e originais. O roteiro mantém algumas características do 'zumbi' (a fome, a agressividade e os trejeitos típicos estão presentes), foge de alguns detalhes (há uma humanização dos monstrengos) e aposta em uma atmosfera esperançosa no intuito de apresentar soluções ao eminente caos.

A produção é uma sátira sobre os 'mortos-vivos' com pitadas de terror e com humor rasteiro eficiente que foge do besteirol. À medida que o roteiro aprofunda no relacionamento entre os protagonistas, o longa ganha contornos dramáticos e românticos (nada piegas) excentricamente interessantes. A partir daí, uma série de acontecimentos traçam a moral da estória que culmina em um clímax reflexivo, ainda que politicamente correto. Tudo isso é acompanhado por uma trilha sonora contagiante e ditado por um ritmo agradável.

Enfim, os atores estão 'ok', a direção Jonathan Levine é segura e o filme não tem pretensões ambiciosas, ainda que não decepcione no visual apocalíptico e no suspense. A magia de "Meu namorado é um zumbi" só funcionará se o espectador estiver disposto a assisti-lo com 'outros olhos' evitando comparações puristas. Caso contrário, o longa pode não ser digerível.

Meu namorado é um zumbi (Warm Bodies)
EUA, 2013 - 98 min.
Comédia / Drama / Romance / Suspense
Direção: Jonathan Levine
Roteiro: Jonathan Levine, Isaac Marion
Elenco: Nicholas Hoult, Teresa Palmer, John Malkovich, Analeigh Tipton, Rob Corddry, Dave Franco, Cory Hardrict
Cotação: * * * *

quarta-feira, 24 de abril de 2013

P.S. Eu Te Amo

Baseado em livro homônimo da escritora irlandesa Cecelia Ahern, “P.S. Eu Te Amo” se revela um drama romântico pouco convencional. Isso, graças a sua narrativa que opta por trabalhar o ‘pós-tragédia’ ao invés de ‘açucarar sentimentos’ e emociona ao apresentar uma história de sofrimento e superação da perda de um grande amor.
 
Durante toda a projeção, Gerry (Gerard Butler), que sabia que iria morrer por causa de uma doença, deixa diversas cartas para sua esposa Holly (Hilary Swank) no intuito de motivá-la a continuar a viver sem sua presença e, principalmente, ajudá-la a não ter medo de amar outra pessoa. À medida que as cartas são reveladas, o filme exibe flashbacks com as principais lembranças do casal que o levaram a ter um laço afetivo.
 
O que torna “P.S. Eu Te Amo” atraente é a maneira ‘pouco hollywoodiana’ como a história é contada. O que seria melodramático em um romance tipicamente estadunidense já é descartado logo no começo, quando descobrimos que o mocinho morre e que sua doença não é pretexto para as lágrimas. E é por causa de sua morte que o filme ganha uma atmosfera amorosa simpática e de relações maternais interessantes.
 
O longa não traz tantas discussões reflexivas e apenas revive bons e difíceis momentos vividos pelos protagonistas. Entretanto, as situações são contornadas com a essência do título, em que o amor, a saudade e a compreensão são os melhores remédios para curar feridas causadas pelas dificuldades que a vida nos impõe.
 
Apesar de ter alguns coadjuvantes mal trabalhados e um Gerard Butler com uma irreverência um pouco forçada, o roteiro acerta na presença de Kathy Bates (mãe de Holly) e valoriza o talento de Hilary Swank, que se sai melhor no drama do que no romance, vide seu desempenho no clímax extremamente emocionante.
 
P.S.: bom entretenimento que vale a pena dar uma conferida a dois, em nome do amor!
 
P.S. Eu Te Amo (P.S. I Love You)
EUA, 2007 - 130 minutos Drama / Romance
Direção: Richard LaGravenese
Roteiro: Richard LaGravenese, Steven Rogers
Elenco: Hilary Swank, Gerard Butler, Gina Gershon, Lisa Kudrow, James Marsters, Kathy Bates, Harry Connick Jr., Jeffrey Dean Morgan
Cotação: * * * *

sábado, 19 de janeiro de 2013

Água para Elefantes

Baseado no livro homônimo de Sara Gruen, “Água para Elefantes” narra a jornada do estudante de veterinária Jacob Jankowski (Robert Pattinson) que, após perder sua família em um acidente, decide, sem rumo, sair de casa.
 
Ao pegar um trem clandestinamente, ele acaba caindo em um veículo circense e é recrutado pelo dono do circo August (Christoph Waltz), onde, também, conhece a esposa de seu mandatário, Marlena (Reese Witherspoon), com quem se apaixona.
 
“Água para Elefantes” tem cara de dramalhão e há clichês narrativos, tanto ‘shakespeareanos’ para o romance como vingativos para o suspense, que nos remete aos grandes épicos de Hollywood. De fato, há esse convencionalismo em torno da produção que conta a história por meio de um longo flashback e narrações em off, mas tudo é feito de maneira equilibrada e com ritmo sempre agradável.
 
Um dos fatores cativantes do longa é a maneira dócil e verossímil em que personagens e situações são expostas e/ou interagidas na trama, méritos para o bom roteiro adaptado de Richard LaGravenese e pela sensível direção de Francis Lawrence que mantém sempre a atmosfera de alto astral ao invés do melodrama. Claro, há seus dramas e momentos tristes, mas nada que incomode o expectador.
 
A boa reconstituição de época da ambientação na década de 1930 (em plena depressão nos Estados Unidos), os bons diálogos, o resgate da magia circense, a trilha sonora marcante de James Newton Howard que dita os momentos e a sensibilidade do filme e as ótimas atuações de Robert Pattinson, Hal Holbrook e Christoph Waltz valem o ingresso.
 
Embora falte um pouco mais de emoção no desfecho (talvez os mais amanteigados possam ir às lágrimas), a obra está longe de ser triste. Enfim, “Água para Elefantes” traz a essência de grande e encantador cinema que consagrou Hollywood. Entretenimento simples, artístico e de qualidade.
 
Água para Elefantes (Water for Elephants)
EUA, 2011 - 122 minutos
Drama / Aventura / Romance
Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Richard LaGravenese
Elenco: Reese Witherspoon, Robert Pattinson, Christoph Waltz, Paul Schneider, Jim Norton, Hal Holbrook, Mark Povinelli, Richard Brake.
Cotação: * * * * *

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Os Agentes do Destino

Adaptação do conto The Adjustment Team (1954), de Philip K. Dick, “Os Agentes do Destino” tem uma premissa que não é novidade no cinema atual, mas pode agradar boa parte do público que se interesse pelos temas ‘acaso’ e ‘destino’. Não se estranhe caso perceba alguma semelhança teórica com “Matrix”, que recicla algumas ideias sobre os assuntos citados e as exibe de maneira romântica e sensivelmente atraente.
 
Depois que o congressista David Norris (Matt Damon) se deparou, inesperadamente, com a bailaria Elise Sellas (Emily Blunt), ele é abordado por agentes (que ajudam a controlar o destino das pessoas) que afirmam que seu encontro com Elise não era para ter acontecido. Ao desprezar o que lhe foi dito, Norris acredita que Elise possa ser seu grande amor e passa a procurá-la, mas, paralelamente, os tais agentes trabalham para que um novo encontro não aconteça.
 
O filme é uma ficção científica, nada futurista, travestida de romance que oferece ao espectador um conteúdo abrangente e reflexivo de essência ‘matrixiana’ em seu roteiro (agentes, manipulação e portas que se abrem para lugares desconexos). Em um ritmo sempre harmonioso, a trama trabalha bem a questão do livre arbítrio nas decisões do protagonista, o principal fio condutor que prende a atenção do espectador por seu mistério, sobretudo, pelos acasos provocados pelos agentes do título.
 
A reflexão proposta pela narrativa é de grande valia, principalmente quando recorremos à realidade para associarmos algum tipo de trajetória. E esse é o objetivo do longa, que nos faz pensar sobre as escolhas que fazemos durante o percurso de nossa vida até o destino final, o que transforma o filme em um exercício sobre as coisas imperceptíveis que acontecem com o ser humano e que carecem de valor e compreensão.
 
No fim das contas, “Os Agentes do Destino” tem lá sua previsibilidade romântica que pode não ser impactante em sua conclusão, mas isso não tira o mérito da história que foi bem realizada (não digo bem adaptada porque não li o conto de Philip K. Dick) pelo diretor e roteirista George Nolfi e bem interpretada por Matt Damon e Emily Blunt.
 
Os Agentes do Destino (The Adjustmen Bureau)
EUA, 2011 - 106 minutos
Ficção científica / Romance
Direção: George Nolfi
Roteiro: George Nolfi, Philip K. Dick
Elenco: Matt Damon, Emily Blunt, Anthony Mackie, John Slattery, Michael Kelly, Terence Stamp
Cotação: * * * * *

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O amor não tira férias

Amor não correspondido e amores de passagem são assuntos tradicionais em comédias românticas que buscam uma identificação com o público e retratam situações semelhantes com a realidade. A maioria dos filmes que contém esses ingredientes esbarra na falta de criatividade de seus realizadores e é o que acontece com parte de "O amor não tira férias".
 
Uma trama do filme cai no convencionalismo narrativo e a outra é uma encantadora homenagem a sétima arte. O longa, baseado em um anúncio da internet, retrata a jornada de duas mulheres, uma rica (Amanda) e outra ‘pobretona’ (Iris), que fazem um intercâmbio de casas por temporada. As duas sofrem do mesmo sintoma: desilusões amorosas.
 
A história da norte-americana produtora de trailers de cinema Amanda é repleta de clichês (o fato de ser rica a deixa alienada ao seu mundo de interesses e por sua insensibilidade que evita de ser humilde e de ter uma vida ‘amorosa saudável’). Não há grandes momentos e o enredo apenas ‘cumpre tabela’ para deixar o longa mais atraente, já que a dupla romântica tem as ‘caras bonitas’ da carismática Cameron Diaz e Jude Law, que faz o tipo ‘safadão’.
 
O contraponto narrativo é a jornada da inglesa e jornalista Iris, que tem boa performance de Kate Winslet. Apesar de trazer o clichê da ‘pessoa pobre’ (é mais humilde, sensível e compreensiva que as 'pessoas ricas'), ela tem uma relação curiosa com um velho roteirista de cinema e se apaixona por um compositor de trilhas sonoras interpretado por Jack Black, que foge do estilo comediante e consegue exprimir charme e maturidade.
 
A direção de Nancy Meyers imprime sensibilidade ao filme, mas o seu roteiro peca ao dar ênfase à trama de Amanda ao invés de focar a história sobre Iris, que é mais interessante. Entretanto, o roteiro tem lá seus méritos e acerta em trabalhar algumas passagens como a homenagem ao cinema antigo e nos hilários momentos de metalinguagem. Enfim, é um filme leve e despretensioso, mas de encanto passageiro.
 
O amor não tira férias (The Holiday)
EUA, 2006 - 136 minutos
Comédia romântica
Direção: Nancy Meyers
Roteiro: Nancy Meyers
Elenco: Cameron Diaz, Kate Winslet, Jude Law, Jack Black, Eli Wallach, Rufus Sewell, Edward Burns, Shannyn Sossamon
Cotação: * * *

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O Casamento de Romeu e Julieta

As vezes o cinema brasileiro tropeça em inserir a ‘estética televisiva’ em suas produções, o que pode condenar um filme ao fracasso. Apesar da aparência ‘Global’ de “O Casamento de Romeu e Julieta”, de Bruno Barreto, o longa até não faz feio ao seguir a cartilha da ‘sessão da tarde’: é bobinho, previsível, tem lá suas confusões e cenas divertidas.
 
A palmeirense Julieta (Luana Piovani) se apaixona por Romeu (Marco Ricca), um oftalmologista e corinthiano ‘roxo’. Em nome do amor, Romeu aceita se passar por palmeirense para agradar o sogro Alfredo Baragatti (Luís Gustavo), que é um torcedor fanático do Palmeiras, o que gera desconfiança e confusão em sua família composta por corinthianos.
 
O roteiro trivial é baseado em conto de Mário Prata e inspirado na famosa peça de William Shakespeare sobre duas famílias que não querem ver um casamento entre seus parentes. Para ‘abrasileirar’ a história, o futebol e seu fanatismo passam a ser as referências que opõem as duas famílias e servem de ‘cupido’ para o romance central.
 
A trama utiliza Romeu como artifício para criar algumas situações engraçadinhas, principalmente quando ele tem de fingir ser torcedor do Palmeiras para o sogro e se esconder da avó corinthiana Nenzica (Berta Zemmel) que não quer ver o neto casado com uma palmeirense. No final das contas ‘o amor é lindo’ e a lição de moral sobre fanatismo excessivo vem à tona.
 
A sensação é que a idéia sairia melhor como um seriado de TV e não como filme, já que, esteticamente, decepciona (as representações das torcidas e as coreografias de futebol são péssimas). O destaque da produção é a atuação caricaturada de Luís Gustavo que está impagável na pele um homem que ‘devota’ sua vida às cores ‘palestrinas’.
 
O Casamento de Romeu e Julieta
Brasil, 2005 - 90 minutos
Comédia / Romance
Direção: Bruno Barreto
Roteiro: Jandira Martini,Marcos Caruso
Elenco: Luana Piovani, Mel Lisboa, Luiz Gustavo, Leonardo Miggiorin, Marco Ricca
Cotação: * * *

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Crepúsculo

“Crepúsculo” é um longa voltado para adolescentes que mais parece um episódio de 122 minutos de “Malhação” de trama romântica boba ambientada numa guerra entre vampiros e lobisomens. De fato, o filme, baseado nos livros de Stephenie Meyer, se tornou um fenômeno de bilheteria (faturou mais de 392 milhões de dólares) e é um ‘trash-cult’ instantâneo. A produção tem seus méritos e é importante para as gerações emo, Justin Bieber, Luan Santana ou seja lá quais são as várias tribos do gênero da atualidade.
 
O filme tem todos os ingredientes 'high school'. Além das paixões de escola, aventuras e rebeldias, o pior deles é quando o Google entra em ação, ferramenta que a mocinha usa para descobrir que sua paixão é um ‘sanguessuga’.
 
É natural que o cinema produza, de tempos em tempos, produtos que retratam uma geração, mesmo que seja uma nova roupagem de histórias que marcaram épocas. Essa franquia não foge à regra e investe em um conto contemporâneo infanto-juvenil de fantasia. De tão 'fantástico', o roteiro reinventa detalhes clássicos de seus personagens vampirescos, como a ausência do pavor da luz do sol.
 
Muita gente vai achar estranho alguns furos de roteiro, porém são dúvidas que serão explicadas ao longo da saga com “Lua Nova” e “Eclipse”. Apesar de algumas situações piegas, “Crepúsculo” funciona para um público restrito. Fora desse eixo, é um filme que deve estar nos melhores lixões de Hollywood. Nesse contexto, prefira “Anjos da noite”.
 
Crepúsculo (Twilight)
EUA, 2008 - 122 minutos
Aventura / Romance
Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: Melissa Rosenberg, Stephenie Meyer
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Milly Burke, Peter Facinelli, Cam Gigandet, Ashley Greene
Cotação: * *

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Encontro explosivo

"Encontro explosivo" é um filme que propõe ao espectador uma estória com muita ação e comédia romântica com ares de espionagem. De fato, dá para se divertir com as inúmeras situações cômicas recheadas de confusão, porém para aqueles que admiram um cinema mais pretensioso, lógico e/ou realista vão rotular esse longa, acertadamente, como um "lixo" caça-níquel de Hollywood.
 
Apesar do fraco roteiro, o que importa mesmo é o carisma dos protagonistas e o humor. Tecnicamente falando, "Encontro explosivo" não decepciona, embora falte a sensação de o espectador sentir a "falta de fôlego" em algumas sequências.
 
As situações cômicas funcionam graças ao trabalho do diretor James Mangold em manipular os clichês do roteiro, fato que deixa o longa mais atraente, como nos momentos em que acompanhamos a ação pelos olhos da mocinha. Claro, a participação dos carismáticos Tom Cruise e Cameron Diaz ajuda a a trama ficar mais engraçada.
 
Falando nos personagens, esse estilo de filme tem um tom um tanto quanto machista das comédias românicas. A virilidade faz parte do humor e do clichê, fórmula clássica que nos remete ao convencionalismo do herói cômico canastrão e da mocinha indefesa e inocente. Contudo, é preciso relevar isso para se divertir, caso contrário, essa mesmice pode não agradar aos mais exigentes.
 
Para aqueles que se interessaram ou gostam desse estilo ‘ação unissex para não se levar a sério’, "Encontro explosivo" me agradou mais que "Caçador de recompensa", entretanto fica para trás quando me lembrei de "Sr. e Sra. Smith" e do clássico "True lies".
 
Encontro explosivo (Knight and Day)
EUA, 2010 - 109 minutos
Ação/Comédia/Romance
Direção: James Mangold
Roteiro: Patrick O'Neill
Elenco: Tom Cruise, Cameron Diaz, Peter Sarsgaard, Marc Blucas, Jordi Mollà, Viola Davis, Paul Dano, Maggie Grace
Cotação: * * *

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Lua Nova

Quem não gostou de “Crepúsculo” deve passar longe de “Lua Nova”. Entretanto, se o primeiro filme da saga ‘vampiros versus lobisomens para adolescentes’ te agradou ou você foi uma das pessoas que cultuaram a adaptação cinematográfica baseada em série literária de Stephenie Meyer, com certeza vai gostar ainda mais desta sequência.

Um incidente no aniversário de Bella (Kristen Stewart – em uma chata atuação ‘melo-depressiva’) faz com que Edward (Robert Pattinson) vá embora. Arrasada, Bella encontra consolo ao lado de Jacob (Taylor Lautner) e, aos poucos, ela é atraída para o mundo dos lobisomens e passa a ter sua lealdade testada. Ao descobrir que a vida de Edward está em perigo, Bella enfrenta os Volturi, um dos mais poderosos clãs de vampiros na Terra.

É inegável que houve uma melhora substancial entre “Crepúsculo” e “Lua Nova”. A mudança na direção, saiu Catherine Hardwicke e entrou Chris Weitz, proporcionou, ao segundo longa da saga, cargas dramáticas melhores ensaiadas e um ritmo mais intenso e objetivo.

Ainda que a atmosfera do primeiro filme tenha sido mantida, a trama nesta sequência está mais densa, o que desenvolve melhor o suspense. Talvez, por ter o foco voltado mais para clã dos lobisomens ao invés da ‘tribo vampiresca’, a história ganhou mais ação e traços mais sombrios, aspectos que deixaram o longa mais atraente.

Apesar de melhoras técnicas, o conteúdo segue convencional e o triângulo amoroso novelesco repleto de diálogos clichês continua não convencendo (há momentos piegas de ‘amor não correspondido’ e aparições toscas de Edward imaginadas por Bella). Para os fãs, toda essa pieguice pouco importa. Se a saga consegue estimular a sexualidade e a fantasia de adolescentes sobre ‘perfeições amorosas’, ela já fez a sua parte.

Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon)
EUA, 2009 - 130 minutos
Aventura / Romance
Direção: Chris Weitz
Roteiro: Melissa Rosenberg
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Dakota Fanning, Michael Sheen
Cotação: * * *