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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Doutor Sono

Inspirado em livro de mesmo nome do escritor Stephen King, lançado em 2013, o longa “Doutor Sono” é considerado a continuação do terror cult “O Iluminado” (1980), de Stanley Kubrick. Há muita reverência ao filme oitentista, mas, também, desequilíbrios de concepções entre as obras, os quais poderão frustrar os fãs do clássico.
 
Existem três situações em “Doutor Sono”: um grupo de ciganos/bruxos que possui um estranho poder sobrenatural que se alimenta da ‘energia’ das pessoas; uma garota com poderes telepáticos e Danny Torrance (interpretado pelo competente Ewan McGregor), o garotinho de “O Iluminado”, que vive atormentado pelos eventos ocorridos no mal assombrado Hotel Overlook.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

A Freira

"A Freira" é um spin-off de "Invocação do Mal 2" (2016), que, por sua vez, é o quinto longa que integra o 'universo satânico' iniciado em "Invocação do Mal" (2013). Embora tenha algum potencial, este é o pior exemplar de toda a saga. O roteiro possui alguma passagens sobrenaturais confusas, o inútil bom humor na trama surge sempre deslocado, a fotografia é escura demais (a pouca luz, recurso para criar clima de tensão, é um incômodo constante ao prejudicar a composição de cena) e a criação do terror é mal construída. A maioria dos sustos é provocada pelo aumento exagerado da trilha sonora.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Um lugar silencioso

Já não é de hoje que o conceito de ‘terror’ no cinema anda meio banalizado. A maioria dessas produções não se preocupa tanto em desenvolver narrativas e/ou concepções no intuito de provocar reações emocionais genuinamente incômodas nos espectadores. Em outras palavras, não há uma eficiência em causar o ‘medo’ em quem assiste ao filme. Devido a isso, muitos longas optam pelo ‘caminho mai$ fácil’ ao investirem em criaturas bizarras, em histórias rasas, na repugnância, na sanguinolência e em ‘jump scare’ (susto) gratuitos para promoverem o gênero.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A cura (opinião em até 150 caracteres)

Esteticamente belo, excessivamente longo e narrativamente confuso.

A cura (A Cure for Wellness)
2017, EUA/GRA/IRL - 146 minutos
Suspense/Terror
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: Gore Verbinski, Justin Haythe
Elenco: Dane DeHaan, Jason Isaacs, Mia Goth, Adrian Schiller, Angelina Häntsch, Annette Lober, Ashok Mandanna, Bert Tischendorf, Carl Lumbly, Celia Imrie
Cotação: * *

segunda-feira, 8 de maio de 2017

A autópsia

Uma misteriosa mulher é encontrada enterrada em uma cena de crime dentro de uma casa no interior dos Estados Unidos. Ela é levada pelo Xerife local para o necrotério da cidade para que seja feita uma autópsia. Quando os procedimentos médicos começam, os protagonistas se deparam com diversos acontecimentos estranhos que se intensificam com o avanço da necropsia.

A atmosfera claustrofóbica, sustos repentinos e muita tensão estão no filme que é bem dirigido por André Øvredal. O terror surge na tela de forma eficiente pela boa fotografia, pela maquiagem realista e, sobretudo, pela curiosa mitologia que cerca toda a pegada sobrenatural da trama.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Invasão Zumbi

De vez em quando, o cinema sul-coreano costuma nos brindar com algumas pérolas (como "Oldboy", "O caçador", entre outros), e "Invasão Zumbi" é uma delas. Mesmo tendo como tema os famigerados 'mortos-vivos', a produção não deixa nada a desejar com relação aos filmes hollywoodianos. Inclusive, pode-se considerar um dos melhores do subgênero.

A trama, que parece um spin-off de "Guerra Mundial Z", mostra a evolução da epidemia sob o ponto de vista de uma família. Pai e filha embarcam em um trem em Seul para a garota visitar a mãe em Busan, do outro lado do país. Durante a viagem, os passageiros são transformados em zumbis e um pequeno grupo tenta se proteger para não ser mordido e contaminado.

sábado, 3 de setembro de 2016

Demônio de Neon

"Demônio de Neon", dirigido por Nicolas Winding Refn (NWR), do premiado "Drive", traz o que o cineasta tem de melhor: apuro técnico. Entretanto, o roteiro, escrito por ele, que retrata de forma curiosa e obscura os bastidores da indústria da moda, com ponto de vista de uma modelo iniciante, pode causar incômodo em seu terceiro ato pelo radicalismo na transição de gêneros.

Até que a reviravolta aconteça, o filme é envolvente ao apresentar uma estética de cores fortes, ritmo lento, enquadramentos estáticos, tomadas em slowmotion e movimentos singelos de câmera.

domingo, 20 de setembro de 2015

A vida depois de Beth

"A vida depois de Beth" é uma montanha russa de subgêneros. Começa melancólico, passa pelo mistério, vai para o terror e termina em um tom tragicômico quase surreal. Quando a trama precisa de explicações coerentes sobre os acontecimentos para seguir a diante, o humor negro ganha espaço, coloca a seriedade de lado e revela a alma nonsense do filme. Não é um longa que agradará a todos, pois quem levar a sério demais vai condenar os furos de roteiro que, por incrível que pareça, aparecem de forma proposital para dar o tom da reviravolta na narrativa (é quase uma 'pegadinha', pois o mistério perde a seriedade esboçada nos primeiros minutos). Destaque para a atuação de Dane DeHaan. Para quem gostar vai achar hilariante!

domingo, 12 de outubro de 2014

Annabelle

"Annabelle" é um prelúdio de "Invocação do Mal", de James Wan, que, aqui assina o cargo de produtor. A história fala da estranha boneca, que dá nome ao filme, que aparece no museu dos demonólogos Ed e Lorraine Warren nos anos 70. Ainda que Annabelle tenha sido um detalhe narrativo de "Invocação do Mal", ambos possuem histórias independentes e não é necessário ver um para entender o outro.

Dirigido por John R. Leonetti, seu trabalho incorpora, assim como seu antecessor, a pegada clássica das fitas de terror e funciona de forma bastante satisfatória. Como o assunto é a presença de espíritos demoníacos que rondam os protagonistas, não há como fugir de clichês temáticos.

Isso, no entanto, não atrapalha em nada, pelo contrário, o lugar-comum ajuda a criar a ótima atmosfera aterrorizante e faz o espectador se contagiar com a narrativa. Claro, não podemos nos esquecer da direção firme de Leonetti que dosa bem a inserção do sobrenatural na trama, faz boas referências a outros exemplares do gênero e arquiteta bem os inúmeros momentos de tensão e sustos imprevisíveis quem dão calafrios na espinha.

Outro ponto favorável é a boa fotografia que dá um tratamento visual assombroso à boneca. Quando é focalizada pela câmera, sempre em tomadas longas e lentas, sua presença estática, seu olhar perturbador e semblante realista feiamente misterioso ajudam a proporcionar cenas com auras ainda mais assustadoras. 

A conexão com "Invocação do Mal" em seu terceiro ato é sutil, o que deixa a sensação de que haverá uma sequência para explicar como Ed e Lorraine Warren adquiriram a tal boneca. Até o momento, "Annabelle" é o melhor exemplar de terror de 2014.

Annabelle
EUA, 2014 - 98 min.
Terror
Direção: John R. Leonetti
Roteiro: Gary Dauberman
Elenco: Annabelle Wallis, Ward Horton, Tony Amendola, Alfre Woodard, Joseph Bishara
Cotação: * * * *

Termômetro:
- Humor: *
- Drama: * * *
- Romance: * *
- Fantasia: * * * *
- Ação / Aventura: *
- Policial: *
- Suspense: * * * * *
- Sexualidade: *
- Escatologia: *
- Violência: * *
- Efeitos especiais: * *

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Carrie - A estranha

Esta versão de "Carrie - A estranha" é a segunda refilmagem do clássico de 1976, dirigido por Brian de Palma, e, para variar, é inferior ao original. A nova roupagem da história, que é mais fiel, não é tão ruim como falam, mas está muito aquém do que deveria ser.

Os pontos positivos são a contextualização da narrativa - o que faz alguns detalhes da famosa trama ser melhores orquestrados e/ou explicados - e a qualidade técnica. No entanto, falta uma direção mais eficiente e carismática. A diretora Kimberly Peirce não consegue introduzir tensão e, sobretudo, equilíbrio de alguns elementos para fazer jus ao gênero terror.

Chloë Grace Moretz, que interpreta a personagem principal, é boa atriz e está em plena ascendência na carreira, mas, infelizmente, ela não convence e não alcança a excentricidade dramática de Sissy Spacek, fato que a tornou assustadora no clássico. Julianne Moore, que faz a mãe de Carrie, é mais amedrontadora e é o destaque no elenco.

Um detalhe que ficou bom e ao mesmo tempo ruim é o tom sobrenatural que dita o poder da protagonista. Tecnicamente, essa habilidade é bem montada pelos efeitos especiais e dão certo realismo nas sequências de fúria, entretanto, isso deixou de ser tão misterioso quando Carrie começa a brincar com seu dom sem estranheza, o que a faz parecer uma mutante ao invés de uma pessoa com alguma anomalia.

Há uma cena ou outra interessante, como a do carro no final, porém o filme não consegue ter o carisma de seu antecessor. As pegadinhas que divulgaram a produção e que se tornaram hits na internet divertem mais.

Carrie - A Estranha (Carrie)
EUA, 2013 - 100 minutos
Terror
Direção: Kimberly Peirce
Roteiro: Lawrence D. Cohen, Roberto Aguirre-Sacasa
Elenco: Chloë Grace Moretz, Julianne Moore, Gabriella Wilde, Portia Doubleday, Ansel Elgort, Judy Greer, Alex Russell
Cotação: * *

Termômetro:
- Humor: * 
- Drama: * * * *
- Romance: * 
- Fantasia: * *
- Ação / Aventura: * *
- Suspense: * * * *
- Sexualidade: * *
- Escatologia: * *
- Violência: * * * *
- Efeitos especiais: * * * 

domingo, 29 de setembro de 2013

Sobrenatural

Filmes de terror costumam seguir a mesma cartilha e o que difere de uma produção para outra é a eficiência para trabalhar situações de tensão e, claro, um bom roteiro. O diretor James Wan ("Jogos Mortais") provou ser expert nesse assunto e sabe criar boas atmosferas de suspense, mas nem sempre isso sustenta a qualidade de uma narrativa. Em “Sobrenatural”, o clima de terror é bem desenvolvido e é um diferencial na primeira metade com muitos sustos e tensão que fazem jus ao título. Infelizmente, a segunda parte fica aquém do esperado, não pela pegada de Wan, mas pelo fraquíssimo roteiro que exagera nas ações surrealistas, dá uma conclusão inconvincente (e trash) e deixa a desejar em relação à proposta inicial.

Sobrenatural (Insidious)
EUA, 2010 - 103 min.
Terror
Direção: James Wan
Roteiro: Leigh Whannell
Elenco: Patrick Wilson, Rose Byrne, Barbara Hershey, Angus Sampson, Johnny Yong Bosch, Kimberly Ables Jindra, Ty Simpkins, Andrew Astor
Cotação: * *

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Invocação do mal

Filmes de terror baseados em fatos reais ganham contornos mais assustadores e isso se aplica em “Invocação do mal”, uma produção cuja narrativa é inspirada nos trabalhos de um casal que estudava a paranormalidade e possessões demoníacas nos anos 70. Aqui, eles são chamados para investigarem o caso de uma família recém mudada para uma velha casa que se vê aterrorizada por um espírito.

No ponto de vista cinematográfico, “Invocação do mal” não traz nada de novo. Tudo o que se vê já foi mostrado pela sétima arte. Entretanto, o diferencial em relação a outros semelhantes é o enredo interessante e sua realização eficiente. É difícil de ver um exemplar de terror conseguir um equilíbrio ímpar ao mesclar estilos e clichês do gênero.

A direção de James Wan (“Jogos Mortais”) e a criatividade na interação de elementos convencionais como exorcismo, casa antiga mal-assombrada, espíritos malignos, paranormalidade e tomadas em primeira pessoa (como “A Bruxa de Blair”) são as grandes virtudes da produção. Wan conduz a trama com segurança, trabalha o ‘lugar-comum’ com inteligência e valoriza a dramaticidade dos eventos até culminar em situações consideravelmente assustadoras sem apelar para a sanguinolência.

As cenas de suspense são muito bem montadas e a fotografia fria de poucas cores, aliada a boa direção de arte, ajuda a proporcionar tensão ao criar uma atmosfera amedrontadora. Isso, claro, intensifica as inúmeras sequências de imprevisíveis sustos. O roteiro também se destaca ao minuciar o trabalho do casal de investigadores paranormais e evita o enfoque no mérito religioso, ainda que tenha de utilizar deste argumento no arrepiante clímax.

Vale lembrar, também, da atuação do ótimo elenco encabeçado por Vera Farmiga, Patrick Wilson, Lili Taylor e Ron Livingston que estão convincentes em seus papéis. “Invocação do mal” é, sem dúvida, um dos melhores exemplares de terror dos últimos anos. Se não fosse a falta de originalidade (que não compromete em nada no resultado final), diria que o filme seria um marco do gênero.

Invocação do Mal (The Conjuring)
EUA, 2013 - 112 minutos
Terror
Direção: James Wan
Roteiro: Chad Hayes, Carey Hayes
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Lili Taylor, Ron Livingston, Shanley Caswell, Hayley McFarland, Joey King, Mackenzie Foy
Cotação: * * * *

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Guerra Mundial Z

Se você acredita que o tema 'mortos-vivos' tenha perdido forças se enganou. "Guerra Mundial Z" é a prova que o terror zumbi ainda tem o que mostrar, não só por bons roteiros, mas pelas diferentes percepções sobre o caos global e, sobretudo, pelo ataque pouco convencional dos 'andantes esfomeados'.
 
Quando acontece a invasão de zumbis na Filadélfia, o ex-investigador das nações unidas Gerry Lane (Brad Pitt) e sua família são resgatados por oficiais de seu antigo trabalho. Ele é convocado a voltar a ativa para descobrir o marco zero da epidemia que transforma seres humanos em mortos-vivos. Ao mesmo tempo que Gerry busca o motivo da contaminação global, ele também procura se manter vivo em meio aos ataques de violentos zumbis para manter sua família segura do caos.
 
"Guerra Mundial Z" é o mais caro filme do subgênero (custou cerca de US$ 150 milhões), mas também é o melhor deles. O diretor Marc Forster não economizou sustos e muito menos ação ao realizar um suspense ímpar com enredo mais coeso que outros semelhantes e com cenas espetaculares. É bom ver um trabalho que inspira criatividade no meio de tantas produções medianas com mesmo tema.
 
O clichê, aqui, é inevitável, mas bem explorado em situações pouco comuns. É aí que se destaca a criatividade que está presente nas grandiosidades das cenas (sequências em Israel e dentro de um avião são incríveis), no suspense causado pela periculosidade dos vilões, nos impressionantes efeitos visuais e na utilização inteligente do 3D que pipoca zumbis para fora da tela. Isso valoriza o ritmo ágil (é de perder o fôlego) e acerta na profundidade da tridimensionalidade, elevando os momentos de tensão e conseguindo o que poucas produções promoveram com a tecnologia: interação contagiante entre a atmosfera do filme e o espectador.
 
Se os andantes de George Romero metaforizavam o consumismo, os mortos-vivos de Marc Forster, como disse o diretor numa entrevista, simboliza a superpopulação mundial. Com o crescimento populacional ininterrupto, a busca por mantimentos ou serviços para a sobrevivência se torna cada vez mais intensa. Aí está o argumento para ferocidade dos zumbis que são mais violentos e velozes do que aqueles mostrados em "Extermínio", mais perigosos que os monstros de "Eu sou a Lenda" e mais assustadores que os de "Madrugada dos Mortos". Os monstrengos são uma devastadora força da natureza, o que faz jus ao ditado:"se correr o bicho pega, se ficar o bicho come"!
 
Outro ponto que agrada é o roteiro que traz conexões coerentes e soluções aceitáveis em relação a premissa proposta. O livro de Brooks apenas inspira a atmosfera da estória que teve diversas adequações para que a mesma fique melhor adaptável para o cinema. As modificações foram satisfatórias, mesmo tendo um drama familiar convencional na trama para criar laços emocionais no longa.
 
E Brad Pitt? O caos e o suspense são tão imponentes que o carismático ator teve apenas uma atuação 'ok' e está mais para garoto propaganda da produção. Como ele mesmo disse, aceitou produzir e protagonizar "Guerra Mundial Z" para agradar os filhos. Ele agradou não só seus herdeiros, mas todos os fãs de zumbis com o melhor filme do subgênero.
 
Guerra Mundial Z (World War Z)
EUA , 2013 - 116 minutos
Ação / Suspense / Drama / Terror
Direção: Marc Forster
Roteiro: Matthew Michael Carnahan, Drew Goddard, Damon Lindelof, J. Michael Straczynski, Max Brooks (livro)
Elenco: Brad Pitt, Mireille Enos, Daniella Kertesz, James Badge Dale, Fana Mokoena, Ludi Boeken, Elyes Gabel, Pierfrancesco Favino, Peter Capaldi
Cotação: * * * * *

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A epidemia

Filmes sobre extermínios em massa causados por vírus mortais sempre me atraíram. Dentro dessa ótica, temas que usam zumbis como vilões, apesar de serem batidos em Hollywood, são divertidos por mostrarem pontos de vista diferentes sobre possíveis catástrofes virais.
 
Longas que investem nesses assuntos nos remetem a George A. Romero, pioneiro e mestre em produções que envolvem ‘mortos-vivos’ em crônicas sobre o cotidiano com pitadas de horror. Inclusive, “A epidemia” é uma refilmagem de “O exército do extermínio” (The Crazies, 1973), dirigido pelo próprio Romero.
 
O ritmo lento e o ambiente de cidade rural com paisagens bucólicas favorecem a atmosfera do filme. Quando se inicia a catástrofe, todo esse clima sensível e vagaroso se transforma em tensão com cenários de destruição e requintes de crueldades promovidas pelo exército norte-americano.
 
Em um filme com tema bastante explorado, os clichês também não fogem à regra. Além das confusões de fuga, no grupo que luta para sobreviver há uma grávida, um líder e um maluco representando, respectivamente, a esperança, a racionalidade e a virilidade para enfrentar a situação.
 
Apesar do mistério trivial e ter um clímax previsível, “A epidemia” é bastante eficiente ao mostrar ‘mortos-vivos’ diferentes da visão tradicional e por investir no ponto de vista de isolamento das vitimas sem entrar no lado político sobre o caos, o que valoriza o suspense. Embora seja convencional, a procução é bem dirigida, convincente e não decepciona.
 
A epidemia (The Crazies)
EUA, 2010 - 101 minutos
Suspense / Terror
Direção: Breck Eisner
Roteiro: Scott Kosar, Ray Wright
Elenco: Timothy Olyphant, Radha Mitchell, Joe Anderson, Danielle Panabaker, Christie Lynn Smith, Preston Bailey, John Aylward
Cotação: * * *

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Jogos Mortais (Saga)

A saga "Jogos Mortais" é uma das séries de terror mais legais já lançadas. O grande barato é a engenhosidade das mortes provocadas pelos tais jogos do título que, assim como os roteiros, trazem detalhes narrativos na forma de quebra-cabeças e reviravolta aos montes.

O primeiro foi surpreendente e perturbador ao investir numa história repleta de enigmas, mistérios e tensão que nos remete a filmes como “Seven” e “Ressurreição”. Embora a premissa soe um pouco absurda em toda a franquia, o vilão Jigsaw não participa diretamente de todas as mortes, mas ele induz psicologicamente seus ‘discípulos’ e vítimas para concluir seu objetivo de ‘matar quem merece morrer’ ou 'quem merece sofrer'.

Assim como o primeiro longa, todos os outros mantêm os mesmos ritmos, visuais e armadilhas mortais inventivas e sanguinolentas. No entanto, as partes 3 e 6 da saga me chamaram a atenção ao revelar particularidades interessantes da história, principalmente da personalidade de Jigsaw e seu objetivo psicopático.

Enquanto o terceiro revela os bastidores do ‘banheiro’ e uma conexão direta com o original, o sexto filme traz um tema atrativo ao criticar uma rede de interesses que envolve o setor de saúde norte-americano. Por causa disso, conhecemos uma das principais causas que aguçam a revolta e a vingança do vilão contra o ‘sistema’.

A sétima parte, que diz ser o fim da franquia (ainda que tenha uma ponta para um oitavo longa), foi a única exibida em 3D e é a pior de toda a série. Aqui, tudo soa forçado e exagerado e a premissa é pouco convincente. A impressão é que faltou inspiração para a conclusão da saga que se mostra medíocre.

No geral, de tão engenhosas as tramas, as vezes ficamos com a sensação de que há alguns furos na cronologia desse complexo quebra-cabeça das ações de Jigsaw. Entretanto, para a maioria dos espectadores, isso é o que menos importa nessa série que traz entretenimento na medida para quem gosta de muito sangue e requintes de crueldade.

Jogos Mortais (Saw)
EUA, 2004 - 102 minutos
Suspense / Terror
Direção: James Wan
Roteiro: Leigh Whannell, baseado em estória de James Wan e Leigh Whannell
Elenco: Leigh Wahnnell, Cary Elwes, Danny Glover, Ken Leung, Dina Meyer, Mike Butters, Paul Gutrecht, Michael Emerson, Benito Martinez, Monica Potter, Shawnee Smith, Mackenzie Vega, Ned Bellamy, Alexandre Bokyum Chun, Tobin Bell
Cotação: * * * *

Jogos Mortais 2 (Saw 2)
EUA, 2005 - 93 minutos
Suspense / Terror
Direção: Darren Lynn Bousman
Roteiro: Darren Lynn Bousman e Leigh Whannell
Elenco: Tobin Bell, Lyriq Bent, Tim Burd, Franky G, Erik Knudsen, Dina Meyer, Beverley Mitchell, Tony Nappo, Glenn Plummer, Shawnee Smith, Emmanuelle Vaugier, Donnie Wahlberg, John Fallon
Cotação: * * *


Jogos Mortais 3 (Saw 3)
EUA, 2006 - 107 minutos
Suspense / Terror
Direção: Darren Lynn Bousman
Roteiro:Leigh Whannell, baseado em estória de James Wan e Leigh Whannell
Elenco: Tobin Bell, Shawnee Smith, Angus Macfadyen, Bahar Soomekh, Dina Meyer, J. LaRose, Debra McCabe, Kim Roberts, Alan Van Sprang, Dylan Trowbridge
Cotação: * * * *

Jogos Mortais 4 (Saw 4)
EUA, 2007 - 108 minutos
Suspense / Terror
Direção: Darren Lynn Bousman
Roteiro: Patrick Melton e Marcus Dunstan, baseado em estória de Patrick Melton, Thomas H. Fenton e Marcus Dunstan
Elenco: Tobin Bell, Lyriq Bent, Costas Mandylor, Scott Paterson, Angus Macfadyen, Justin Louis, Sarain Boylan, Shawnee Smith, Betsy Russell, Mike Realba, Simon Reynolds, Athena Karkanis, Marty Adams
Cotação: * * *

Jogos Mortais 5 (Saw 5)
EUA, 2008 - 92 minutos
Suspense / Terror
Direção: David Hackl
Roteiro: Patrick Melton e Marcus Dunstan
Elenco: Tobin Bell, Costas Mandylor, Scott Patterson, Betsy Russell, Julie Benz, Meagan Good, Mark Rolston, Carlo Rota, Greg Bryk, Laura Gordon, Joris Jarsky, Mike Butters, Mike Realba, Lyriq Bent
Cotação: * * *

Jogos Mortais 6 (Saw 6)
EUA, 2009 - 90 minutos
Suspense / Terror
Direção: Kevin Greutert
Roteiro: Marcus Dunstan e Patrick Melton
Elenco: Tobin Bell, Costas Mandylor, Mark Rolston, Betsy Russell, Shawnee Smith, Peter Outerbridge, Samantha Lemole, Tanedra Howard, Marty Moreau, Shawn Ahmed, Janelle Hutchinson, Caroline Cave
Cotação: * * * *

Jogos Mortais - O final (Saw 3D)
EUA, 2010 - 90 minutos
Suspense / Terror
Direção: Kevin Greutert
Roteiro: Marcus Dunstan e Patrick Melton
Elenco: Sean Patrcik Flanery, Tobin Bell, Costas Mandylor, Betsy Russell, Cary Elwes
Cotação: * *

domingo, 11 de novembro de 2012

Resident Evil (Quadrilogia)

Inspirado em filmes de ‘mortos-vivos’ de George A. Romero e baseado em um game da Capcom criado por Shinji Mikami nos anos 90, “Resident Evil” foi um achado para o cinema por ter temas que se diluem de uma forma interessante nas telonas, principalmente por juntar ficção científica e terror de zumbis.

De acordo com os fãs do jogo, não há muita fidelidade na adaptação em relação à história e aos personagens, porém o longa contém muitos dos elementos com compõem a atmosfera do game. Como nunca joguei tal entretenimento, apreciarei a quadrilogia como um produto cinematográfico, evitando, assim, quaisquer comparações entre as mídias.

A trama coloca a personagem Alice (Milla Jovovich – competente e muito ágil para o gênero ação) como o fio condutor de toda a saga. A protagonista faz parte de um projeto da Corporação Umbrella, um laboratório secreto subterrâneo que realiza experiências genéticas ilegais. Após um acidente em que um vírus letal se espalha pelo laboratório, uma equipe de segurança é enviada para o local e descobre que o tal vírus transformou todos alí em zumbis. Com o passar dos filmes, a história nos revela conspirações políticas e um interesse maior da corporação para com a cobaia Alice.

Toda a série possui um alto grau de absurdo, mistério, bizarrices (tais como a aplicação exagerada do sobrenatural, os diferentes monstros que aparecem a cada produção e as aparições dos cães mutantes) e muitas elipses (saltos entre um acontecimento e outro) entre os longas, o que faz o roteiro apresentar furos e de sempre forçar o espectador a engolir as faltas de explicações.

O desequilíbrio de conteúdo ou a falta de atenção para se evitar deslizes ou a pressa dos realizadores em faturar com o projeto são os pontos que culminaram a saga em insucessos de crítica. Para que os filmes não sejam ‘desperdícios de tempo’, basta o espectador deixar de lado os defeitos narrativos e se ligar apenas no suspense e na ação eletrizante.

Olhando para o lado mais técnico, a saga não decepciona, pois em todos os longas há peculiaridades dos gêneros já citados que mantêm a tensão e ritmos em graus satisfatórios. Além disso, a série conta com boas trilhas sonoras ‘rock-eletrônicas’, inúmeras e interessantes tomadas em câmeras lentas além de altas doses de horror e tiroteios com efeitos visuais de qualidade. O destaque são esses quesitos que proporcionam visuais bacanas e estilos de pancadarias diferentes a cada novo filme lançado.

O primeiro longa colocou o tema zumbi em ambiente high tech e investiu no suspense claustrofóbico. O segundo (o mais fraco deles) disseminou mais o assunto principal com ações em ambientes externos e com destruições urbanas. O terceiro trouxe o sol quente e atmosfera apocalíptica que lembram muito “Mad Max”.

Já a quarta parte se inicia de maneira ‘matrixiana’ e depois nos remete a “Madrugada dos Mortos” durante quase toda a projeção, em que um grupo de sobreviventes fica ilhado em um prédio cercados de zumbis. Gravado em 3D, o quarto filme é ainda mais cool e empolgante, o que faz ter o melhor visual de toda a saga.

A interseção entre os filmes é o diretor aficionado por games Paul W.S. Anderson (“Mortal Kombat”, “Alien vs Predador”, entre outros), que roteirizou e produziu todos da série e dirigiu o primeiro e o quarto. Se a saga é um completo lixo, os deméritos se devem a ele (e sua equipe) mas, se a quadrilogia te desperta algum tipo de interesse que o mantém ligado nos longas, então divirta-se com a quinta parte da saga.

Resident Evil - O Hóspede Maldito (Resident Evil)
EUA, 2002 – 100 minutos
Ação / Terror
Direção: Paul W.S. Anderson
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Michelle Rodriguez, Eric Mabius, James Purefoy, Martin Crewes
Cotação: * * *

Resident Evil: Apocalipse (Resident Evil: Apocalypse)
EUA, 2004 – 94 minutos
Ação / Terror
Direção: Alexander Witt
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Sienna Guillory, Oded Fehr, Thomas Kretschmann, Sophie Vavasseur, Ashford Razaaq Adoti, Jared Harris, Mike Epps, Sandrine Holt, Matthew G. Taylor
Cotação: * *

Resident Evil 3: A Extinção (Resident Evil: Extinction)
EUA, 2007 – 94 minutos
Ação / Terror
Direção: Russell Mulcahy
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Ali Larter, Oded Fehr, Ashanti, Iain Glen, Mike Epps, Spencer Locke, Matthew Marsden
Cotação: * *

Resident Evil 4: Recomeço (Resident Evil: Afterlife)
EUA, 2010 – 97 minutos
Ação / Terror
Direção: Paul W.S. Anderson
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Ali Larter, Kim Coates, Shawn Roberts, Sergio Peris-Mencheta, Spencer Locke, Boris Kodjoe, Wentworth Miller
Cotação: * * *

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Zumbilândia

Depois de várias produções sobre zumbis é comum vermos o cinema produzir paródias sobre o tema. Após o humor negro inglês do ótimo “Todo mundo quase morto” (Shawn of the Dead, 2004), é a vez de Hollywood criar uma sátira sobre os ‘mortos-vivo’: “Zumbilândia”.

“Zumbilândia” é um filme idiota e, ao mesmo tempo, divertido. Talvez esse seja o maior equívoco do longa, já que oscila entre situações ora bobas ora engraçadas. A produção segue a cartilha de uma batida linha narrativa satírica: colocar um nerd como protagonista.

É esse virgem e viciado em games que nos apresenta a estrutura da trama em estilo road movie narrada em off. Apesar de ser o responsável pelos momentos de idiotice do longa, o herói nerd descreve um interessante manual de como evitar e enfrentar um zumbi além de revelar, paralelamente aos fatos, seus pensamentos.

O filme se destaca pelo bom roteiro e não decepciona na maioria das gags, principalmente nas pontas de Bill Murray. Além do mais, há personagens bem trabalhados e divertidos, como as irmãs vigaristas e o insano exterminador de ‘mortos-vivos’ protagonizado por Woody Harrelson.

Outro ponto positivo é a direção do estreante Ruben Fleischer que não deixa o ritmo cair ao trabalhar com eficiência a ação, a violência gráfica, a direção de arte convincente e as sacadas visuais bacanas. Embora não seja tão sagaz como “Todo mundo quase morto”, “Zumbilândia” entretém como um parque de diversão: há brinquedos sem graça e outros emocionantes.

Zumbilândia (Zombieland)
EUA, 2009 – 88 minutos
Comédia / Terror
Direção: Ruben Fleischer
Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick
Elenco: Woody Harrelson, Jesse Eisenberg, Emma Stone, Abigail Breslin
Cotação: * * *

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Premonição 4

Na década de 90, a geração “Pânico” (1996) renovou fórmulas dos clássicos do gênero terror e lucrou com filmes sobre seriais killers atrás de 'adolescentes estudantes'. Quatro anos depois, “Premonição” (2000) reciclou esses clichês de uma maneira curiosa dando destaque para mortes engenhosas com requintes de crueldade.

O longa se tornou sucesso e, consequentemente, gerou continuações vazias que trazem apenas, de interessante, a fórmula sádica que encheu os bolsos dos produtores e estúdios. E essa quarta sequência repete a história sobre um grupo de pessoas que sai ileso de uma catástrofe graças a uma premonição do protagonista. O resto, o ‘destino’ vai atrás de cada uma delas e... você já sabe.

O roteiro é fraco e não foge dos clichês previsíveis e de furos enormes que se concentram em uma história que ‘vai do nada a lugar nenhum’. A verdade é que o script se preocupa somente em arquitetar as criativas mortes.

Há certo exagero nos acidentes, porém, de tão bizarros eles são mais cômicos ao invés de impactantes, ainda que sejam sanguinários e cruéis. Falar do responsável pelas mortes na saga pode parecer pleonasmo, já que o vilão é a própria ‘morte’ representado pelo ‘tom sobrenatural’ do acaso que ‘move’ objetos em cena para matar suas vítimas.

Tecnicamente falando, os efeitos visuais podiam ser melhores, mas não comprometem, ainda que existam boas sacadas gráficas como os créditos iniciais (referenciando os filmes anteriores) e o clímax que trazem montagens bacanas de mortes em efeito ‘raio-x’. 

Premonição 4 (The Final Destination)
EUA, 2009 – 93 minutos
Terror
Direção: David R. Elllis
Roteiro: Bobby Campo, Eric Bress, Jeffrey Reddick
Elenco: Bobby Campo, Haley Webb, Jenna Craig, Krista Allen, Nick Zano, Shantel VanSanten
Cotação: * *

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A filha do mal

Atualmente, uma fórmula que está saturada no cinema é àquela que fez sucesso em “A Bruxa de Blair” (1999), em que os realizadores utilizam a linguagem do documentário experimental a partir de imagens achadas para dar uma atmosfera hiper-realista à narrativa. De lá para cá, algumas produções do gênero tentaram repetir a façanha e somente “A filha do mal” conseguiu obter certo êxito crítico.

Os principais atrativos são os exorcismos, um dos temas mais cools, batidos e assustadores da sétima arte. A trama, inspirada em fatos reais (mais um argumento para assustar o público), fala de uma mulher que decide rodar um documentário sobre a insanidade de sua mãe, que havia matado três pessoas durante um ritual exorcista. Para descobrir a verdade, Isabella (bem interpretada pela brasileira Fernanda Andrade) e sua equipe de filmagem vão à Itália para investigarem o caso e se envolvem numa série de eventos demoníacos.

Esse estilo, que também é visto em “Cloverfield”, “Atividade Paranormal” e “Apollo 18”, é, de certo modo, incômodo, pois há sempre imagens trêmulas (às vezes pouco nítidas), o tamanho de tela é reduzido e ângulos de câmeras podem desagradar por simular amadorismo. No entanto, se o objetivo do filme se cumpre, essas características se tornam contagiantes, caso contrário, o longa pode ficar insuportável.

De fato, “A filha do mal” se mostra eficientemente amedrontador ao coreografar as cenas de terror. As bizarrices e os elementos paranormais das sequências impressionam pelo realismo e garantem bons momentos de tensão e sustos, méritos para o diretor e roteirista William Brent Bell (“Stay Alive - Jogo Mortal”) que comanda a produção.

O que pode deixar o espectador impaciente é a ‘falta de um final’ (se são imagens resgatadas, não há uma conclusão) e a demora nas aparições ‘exorcísticas’. No geral, o resultado é satisfatório e cumpre o que promete. E o sucesso é real: os discretos um milhão de dólares de orçamento se tornaram assustadores US$ 101 milhões de faturamento nas bilheterias ao redor do mundo.

A filha do mal (The Devil Inside)
EUA, 2012 – 83 minutos
Terror
Direção: William Brent Bell.
Roteiro: Matthew Peterman, William Brent Bell.
Elenco: Fernanda Andrade, Les Mahoney, Talyan Wright, D.T. Carney, Preston James Hillier, Brian Johnson, Ionut Grama, Bonnie Morgan, Evan Helmuth, Simon Quarterman, Suzan Crowley, Suzanne Freeman.
Trailer: clique aqui
Cotação: * * * *

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Planeta Terror

Indiscutivelmente, Robert Rodriguez é um “Tarantino trash”. Seu lado frenético, pitoresco, exagerado e ácido são as qualidades do diretor que está à vontade conduzindo sua cartilha em “Planeta Terror”, longa que faz parte do projeto Grindhouse, em parceria com seu ilustre amigo Quentin Tarantino, que homenageia as sessões duplas de cinema dos anos 70. 

Na história, um misterioso experimento vaza um gás tóxico e transforma as pessoas em monstros ou em uma espécie de zumbi. Diante deste quadro apocalíptico, o filme aborda diversos personagens que se juntam em um determinado momento da narrativa para combater um exército de ‘inválidos assassinos’. 

Rodriguez se entregou de corpo e alma ao projeto. Sua brincadeira de homenagear a sétima arte setentista (inclusive há reproduções de erros de edição e defeitos de película) aliada ao seu ‘jeito de fazer cinema’ fez de “Planeta Terror” um dos produtos mais cools, estilosos e instantaneamente cult dos anos 2000. 

A ação frenética, o exagero, a caricatura, a reciclagem de clichês e o ‘terror zumbi’ com imagens cruas, maquiagem realista, cenas repugnantes e sanguinolência são os elementos que fazem do filme uma ‘pérola trash’. Tudo isso está numa linha paródica, com sacadas impagáveis (a ideia da mulher perneta que usa uma metralhadora como prótese é genial), que investe no humor negro para entreter o espectador.

Comparando os ‘longas Grindhouse’, “Planeta Terror” não tem a genialidade e muito menos o glamour que “À prova de morte” ganhou de Tarantino, entretanto, diverte pela ‘tosquice’ que encantou os diretores do projeto. 

Planeta Terror (Grind House - Planet Terror) 
EUA, 2007 - 97 minutos 
Ação / Terror
Direção: Robert Rodriguez 
Roteiro: Robert Rodriguez 
Elenco: Marley Shelton, Rose McGowan, Freddy Rodriguez, Naveen Andrews, Tom Savini, Michael Parks, Josh Brolin, Carlos Gallardo, Bruce Willis, Quentin Tarantino, Stacy Ferguson 
Cotação: * * * *